É sempre complicado analisar uma produção musical de um estilo alternativo. Alternativo no sentido de não ser pop. Não que os critérios e valores universais da música não funcionem no gênero, mas nichos tendem a criar seus próprios valores e referências.
Apesar de ter tocado Trash Metal na época de colégio, nunca fui muito conhecedor do assunto. Mas, como sempre digo, música é música e alguns conceitos valem para todas.
De cara, pode-se perceber que Afterage é composta por excelentes músicos. A velocidade, os contratempos, o ritmo - exigem uma técnica apurada e precisa. No geral, gravação (incluindo interpretação) e mixagem são de alta qualidade técnica.
Uma das maiores dificuldades, num estilo onde existem guitarras distorcidas e bastante informação presente o tempo todo, é conseguir equilibrar o mix, evitando congestionamentos e perda de inteligbilidade nos vocais. Na maior parte do tempo, os vocais estão firmes. Mas se fosse me concentrar em melhorias na mixagem, este seria meu foco. Abrir mais espaço para os vocais e eventualmente, alternar com mais frequência as entradas e saídas de elementos (e automação de volume) par destacar alguns instrumentos em determinadas partes da música.
Embora comum no Metal, ainda acho que existem muitas variações dentro da música. Quebras de ritmo, melodias. A não ser que você tenha escutado 4 ou 5 vezes, fica bem difícil lembrar de alguma frase marcante ou identificar as diferentes sessões. Toda e qualquer música deveria "facilitar" a digestão do ouvinte, principalmente se o ouvinte estiver lotado de cerveja, pulando e balançando a cabeleira. Às vezes parece que existem 2 ou 3 músicas em uma, o que é acentuado pela longa duração (6m24s).
"Dangerous Game" é sem dúvida um bom cartão de visitas para a banda. Eles possuem técnica e pegada para explorar várias possibilidades. Em se tratando de um estilo bastante "rotulado", onde naturalmente se espera timbres e forma característicos, minha sugestão seria fugir do lugar comum e criar um identidade marcante. Talvez uma maneira de se tocar a guitarra. Um articulação vocal. Um riff embriagante. Ou até mesmo um estilo de mixagem. Algo que ajude na difícil tarefa de se diferenciar, principalmente para os novos fãs, que estão começando a entender o estilo e fazer comparações entre as bandas existentes e os clássicos.
(ÁUDIO abaixo)
Em termos de Musipontos, não poderia dizer que a composição é algo que se destaca. Esta faixa é muito mais produção/interpretação do que conteúdo lírico/musical. E talvez aí esteja o maior desafio, que vale para todo e qualquer estilo musical: criar letras e melodias acima de qualquer expectativa.
Acabo de me lembrar de uma frase que me marcou, de um alto executivo da ASCAP: "Uma melodia forte ganha o interesse do ouvinte e o traz para a música. Mas são as letras que o mantém interessado ao longo da canção."
Apesar do volume estar muito alto (-7dBFS al algumas passagens), a masterização fez um bom trabalho de controle de picos e distorções, não havendo overs ou clippings audíveis. "Dangerous Game" foi produzida por toda a banda e faz parte do CD-Demo de estréia. A produção ainda foi assessorada e finalizada por Léo Paganni. Parabéns pela grande estréia, sucesso!
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