Arthur Thiesen escreveu esta música como experimento do que gostaria de produzir com sua banda, que se chama Angstrom. Ele mesmo produziu a gravação, que ainda está sem vocais ou qualquer melodia que o substitua. Em seu email, ele pede algumas dicas de como desenvolver a produção musical. Ainda não é possível avaliar a produção musical na escala musipontos. Mas posso fazer alguns comentários.
Talvez o elemento de maior destaque seja a "cama", instrumentada na medida certa (sem exageros ou lacunas notáveis), com harmonia agradável. Um boa base para se desenvolver melodias e instrumentações.
Apesar da estrutura harmônica já estar bem desenvolvida, ainda não dá para identificar as sessões musicais. Uma pré-produção mais elaborada deixaria claro para o ouvinte onde estão os versos, refrão, chorus, bridge, A, B. C etc, mesmo sem a presença das melodias.
Repare como não conseguimos traçar um contorno emocional para a canção. Toda música (com raríssimas excessões) deveria contar uma história, com início, meio e fim. Mesmo que esta história não seja tão objetiva ou lírica. Estamos falando de um contorno musical - diretamente apoiado por instrumentação, arranjo, letras, sessões - que consegue transmitir uma mensagem ao ouvinte. Vamos sempre nos lembrar que a música nada mais é do que um veículo transmissor de mensagens.
Na atual fase de produção, "Storm" ainda não consegue transmitir a mensagem, seja ela qual for. Minha dica seria concentrar-se na intenção da música e a partir daí, desenvolver sessões que ajudem na comunicação. Isso pode e deve ser feito na pré-produção, antes das gravações finais.
A propósito, ontem mesmo fui assistir ao ensaio de uma banda e em determinado momento, quando eles iam me mostrar uma música nova, alguém comentou: "essa música ainda não está finalizada, mas estamos indo para o estúdio gravar e lá vamos descobrir se ela está boa ou se precisa de mais trabalho". Este é um erro bastante comum e deveria ser evitado. Acreditem, pouquíssimos artistas podem se dar ao luxo de criar e tomar decisões dentro do estúdio. O ambiente de estúdio é naturalmente tenso e todos estão concentrados nas gravações. Melhor deixar os testes, arranjos, decisões, conversas com o produtor e ensaios, bem, para os ensaios! Chame como quiser - ensaios, produção, pré-produção - mas alugar um estúdio de gravação sem ter a música claramente pré-produzida não costuma ser um bom uso de tempo, dinheiro e esforço físico e mental.
Esta gravação enviada para o AC, se encarada como versão de pré-produção (que não deixa de ser), será muito útil no desenvolvimento da produção. Em algum momento, as versões tomarão mais forma e se transformarão na gravação-guia. Esta sim poderia ser avaliada tranquilamente na escala musipontos, e serviria de guia para as gravações em estúdio.
Esperamos ouvir as futuras versões!. Não se preocupe muito com a qualidade de áudio, ou se a bateria não soa natural, neste momento. A gravação guia não precisa soar como produção final., ao contrário do que muitos pensam. Minha última dica seria procurar identificar e se concentrar em alguma atividade específica da produção musical. Por exemplo, composição, arranjos, gravação, mixagem. É cada vez mais comum a busca pelo profissional multi-tarefa, conhecedor de tudo e especialista em nada. Trabalhar em equipe sempre foi o melhor jeito de se fazer música. De novo, sei que ainda está na fase de pré-produção, mas pense nisso no decorrer da produção. Um engenheiro de mixagem poderia dar boas sugestões para a mixagem e gravação. Um produtor pode auxiliar bastante na pré-produção. Parabéns e sucesso!
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