Este foi o primeiro CD que recebi após reativar o serviço de análise. Obrigado a todos que enviaram suas músicas, os discos estão arquivados, na fila para análise.
O EP "Do Lado B do Plano", do grupo "Plano B", chegou com encarte e arte, contendo 08 faixas muito bem produzidas por Felibe db, ex-aluno do nosso curso online. Felipe também é co-autor e músico participante em várias faixas, inclusive na canção escolhida para análise: "Nem Sempre é 100%".
Vale comentar que o disco é bastante consistente, tanto em sonoridade, quanto na qualidade de arranjos. Com mais 4 ou 5 músicas, haverá material suficiente para lançar um álbum de Rap/Hip Hop bem interessante.
A música escolhida para análise começa com um belo som de baixo acústico, que aliado às modulações de guitarra, remete a um som menos estereotipado, fugindo do lugar comum, o que me parece muito positivo para agradar outros nichos. Aliás, o disco é repleto de bons sons de baixo, de calor, texturas e timbres criativos que me lembraram, por diversas vezes, meu guru Stevie Wonder.
A instrumentação é clara e nítida, gerando pulsação e espaço para as vozes, que são o principal elemento no Rap e em vários outros estilos musicais. É sempre fundamental que os vocais estejam tinindo neste tipo de produção. A maioria dos ouvintes "perdoa" deficiências na instrumentação, em detrimento de um vocal sólido, marcante e inteligível. O contrário já não é verdade e acredito que as vozes precisariam de um pouco mais de tratamento para atingirem o mesmo nível de qualidade dos demais elementos da música.
Quando digo "tratamento", não sei ao certo se me refiro à interpretação, captação ou mixagem, mas como aprendemos na produção musical, o que importa é o resultado final que escutamos!
Em alguns momentos, tive dificuldades para compreender as letras. A utilização de vários vocalistas é interessante, mas nem sempre as vozes parecem pertencer à mesma música, sobretudo nas participações femininas. Inícios (attacks) e finais (releases) das frases poderiam estar mais sincronizados nas diversas vozes.
É claro que rap e reverb não combinam e também sou defensor de vocais secos e presentes neste estilo, mas talvez alguns efeitos sutis de espacialidade e encorpamento, ou um melhor controle de equalização e compressão, poderiam levar a faixa para um patamar de "som de gravadora".
Ao contrário de outras faixas do disco, onde os vocais estavam mais energéticos, pode ser que faltou volume, principalmente no chorus da música, que é outro assunto que gostaria de explorar.
Em termos de estrutura, existe uma sessão clara de clímax musical, onde a frase do título é cantada e repetida. Para o ouvinte, existe uma expectativa de contraste e dinâmica, típicos de um chorus, mas percebo que esta sessão ainda soa muito parecida com os versos da música. Na verdade, os versos me pareceram mais atraentes do que o chorus, o que não é algo desejável.
Há letras e melodia suficientes para incrementar o chorus, portanto diria que é uma questão de arranjo e interpretação. Os vocais precisam soar mais intensos neste momento! Use e abuse de pads, mudança de groove, harmonias, backing vocals oitavados, efeitos e automação de volume. Mas principalmente, de interpretações mais dinâmicas. Lembrando que é o chorus que faz o ouvinte se lembrar da música, de seu tema, sua melodia e sua mensagem principal.
Todos os ouvintes deveriam estar aptos a cantar o chorus após escutarem a música pela primeira vez. Uma boa idéia seria fazer testes com pessoas que ainda não escutaram a faixa e afinar a produção de acordo com os resultados.
Curiosamente, é o final da música que apresenta um grande contraste, porém a ponto de sugerir uma outra faixa, desconexa do restante e sem muita função nesta produção. No entanto, aí está uma boa idéia para o chorus, já implementada: alterar entre uma batida eletrônica e outra mais orgânica!
De uma maneira geral, detalhes de pré-produção, relativamente fáceis de serem adicionados (ou retirados) poderão trazer 6 ou mais musipontos para a produção.
Parabéns aos integrantes e ao produtor pelo excelente trabalho. Definitivamente um projeto que teve muita dedicação e competência, com uma sonoridade bem acima da média.
Uma eventual re-masterização poderá ajustar alguns equilíbrios, como domar os graves e acertar volumes de vozes nas diversas faixas, mas considero nota máxima de gravação, mixagem e masterização para um disco EP!
Ficha Técnica
"Nem Sempre 100%" tem participação de Vivian Centurion, foi escrita por Negro Aéreo, Felipe db, Batata e Rapeti.; Bases por Felipe db, Milton Rosa e Negro Aéreo; Guitarra por Nego Jiones e Piano por Sub Bass. Gravada, Mixada e Masterizada por Felipe db no estúdio Semente Sonora.
Audição:

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