Banda gaúcha "Derivados" envia faixa para análise e pergunta sobre masterização.
Quem assina essa produção é Ticiano Paludo. É provável que você já tenha ouvido falar desse nome. Ticiano Paludo é um produtor veterano e respeitado que escreve uma coluna para a Revista Backstage. Infelizmente, deixei de acompanhar a revista e, consequentemente, sua coluna há algum tempo, embora eu sempre tenha gostado muito dos seus textos. Acho que nós compartilhamos de vários pontos de vista.
Vale lembrar que de maneira alguma eu deixaria de escrever minhas sinceras impressões em função do produtor, ou artista, ser mais ou menos famoso.
De imediato, você vai perceber que estamos falando de um alto nível de produção, riqueza nos detalhes encontrados no arranjo, nos timbres e efeitos, palco sonoro e técnicas de gravação e mixagem. Este é um bom exemplo de uma música que foi profissionalmente produzida, e de uma banda que decidiu investir e contratar um produtor.

Algo, porém, se destacou negativamente na minha audição. Uma das grandes armadilhas do produtor musical, sobretudo os experientes, é utilizar muitos macetes e recursos ao mesmo tempo. É quase uma tentação: se podemos identificar problemas e conhecemos truques e soluções, por que não usá-los? A questão é que nem sempre precisávamos "melhorar" algo bom, ou corrigir um "problema" que de fato não existe. O famoso - e chato de tão insistente - menos é mais.
(áudio abaixo)
Acho que a canção acabou perdendo um pouco de impacto pelo excesso de elementos. É complicado aceitar esse conceito, mas muitas vezes, quando você tira, você ganha. Algumas sessões sofrem com a competição de sons e informações: backing vocal, pads, cordas, percussão, delays, dobras, metais, órgão - a ponto de surgirem dissonâncias.
Por outro lado, pode ser que banda forçou essa característica na produção e o produtor nem teve muito espaço para ser ouvido. São comuns as situações de cabo-de-guerra, onde a busca por um equilíbrio acaba deixando alguns pontos esquecidos. Se esse é o caso, diria para os novos amigos (assim espero!) da Derivados que misturar timbres e até estilos musicais é uma idéia bem interessante e ousada, mas não significa necessariamente congestionar a mixagem. O produtor é inevitavelmente associado e até responsabilizado pelo resultado final, é importante considerar e incentivar as opiniões dele(a), perguntar o que acha e pedir soluções.
A forma possui sessões distintas, mas não tenho certeza se entendi o percurso e ligação entre elas. Existe um refrão (mais para refrão do que para chorus) que canta "É fácil querer, é fácil sentir..." e parece ser a sessão de destaque, embora o título da faixa não reflita isso (por outro lado, a curiosidade impressa pelo título sempre ajuda). O conflito, na minha interpretação, é que existe uma segunda sessão que também sugere um clímax, logo após uma crescida: "Eu me pergunto será que teu cupido foi bom" e compete com a outra. Interessantes as letras, prendem a atenção e auxiliam a melodia.
Talvez a interpetação esteja um pouco abaixo do nível da produção, penso que alguns overdubs com melhor entonação e afinação solucionariam a questão. Mas de novo, pode ser uma consequência da harmonia densa de fundo, difícil de avaliar. O áudio está muito bem gravado e mixado.
"Recepção A2" foi escrita pr Maurício Círio, o vocalista com timbre bastante apopriado da banda de Porto Alegre. Maurício enviou esta faixa e perguntou como ela seria melhor masterizada. O status informado é de "mixagem final", portanto não me liguei, nem analisei detalhes da sonoridade final. Minha dica seria a banda e o produtor acompanharem a etapa de masterização, levando referências para o engenheiro, que quase sempre, prefere receber uma mix bem solta, limpa e dinâmica. Pelo estilo musical, eu não me preocuparia muito com o volume final, mas sim com relação e clareza dos vários instrumentos. Parabéns e sucesso!
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Comentários
Muito bom esse espaço para discussão
Parabéns pelo trabalho.
A composição ficou um pouco encaixotada. Por ser tão linear, já tolhe qualquer intenção que possa se referir à dinâmica. A falta de climax também se deve ao fato da música não respirar, e por mais paradoxal que possa parecer, o silêncio é fundamental na música.
Alguns instrumentos estão até bem timbrados, mas a densidade final roubou esse detalhe.
Enfim, creio que o tempo se encarregará de prover todos com a bagagem necessária para se conseguir um trabalho de melhor qualidade. Vocês estão na estrada e caminhando. É isso aí, sigam em frente!
Não consigo escuta-la até o final, por antipatia mesmo! Musica não serve para nos trazer sensações? Eis a que eu sinto, antipatia. Bom para os integrantes da banda o fato do brasileiro ter memória curta. Sucesso para eles!
Humildemente falando, acho que essa canção me diz que estou em algum lugar que não sei como cheguei, nem pra onde vou.
Acho impossível uma mix soar muito agradável quando todos os instrumentos estão cantando ao mesmo tempo, e o que senti no caso desta música foi o exagero de elementos juntos ao mesmo tempo, o que dificulta a inteligibilidad e dos instrumentos, sem contar a quantidade de reverbs que se misturam e criam uma sala gigantesca, dificultando mais ainda o entendimento e a pressão de alguns instrumentos. Tenho certeza que se limitassem o numero de elementos e os encaixassem no lugar certo e na hora certa, ficaria muito melhor. A voz realmente precisaria de uma regravação, mais segura e melhor produzida, pq a idéia da banda parece ser melhor que a própria.
abraço
OPINIÃO MINHA APARTI DE mOÇAMBIQUE
FORÇA
Opnião ouvindo a música pela primeira vez, no meu par de K44 da AKG.
"apesar de que o timbre dos instrumentos está bom"
valeu! foi mal ai.
kkk
Sinceramente, essa mixagem está um pouco amadora. Ela não está coesa, os instrumentos muito soltos, apesar de que o timbre dos instrumentos estarem bons, mas a quantidade de compressão na música não está "correta", ou pelo menos nao está ajudando a sonoridade final. Me agrada o timbre de voz, a bateria, sinto um pouco falta de profundidade e espaço. A música está com todos os instrumentos "mixados a frente"... eu repensaria bastante antes de masterizar.
PS só agora eu vi a data do post. kkk mas tudo bem.
Mas na segunda vez, tentei identificar todos os instrumentos das sessões e realmente vi que era difícil, vários sons concorrem para chamar mais nossa atenção. (backing, teclado, metais de sopro, violão acústico, palmas...)
Realmente a simplicidade é a chave da fluência.
O também concordo que o vocal é afinado, bem feito, mas poderia dar um clima maior na música.
essa é minha opinião!! sucesso e bons sons!!
Um bom exemplo de minimalismo criativo é o novo cd do Rappa. Arranjos simples, vários momentos de (e somente de) bateria e baixo, piano e guitarra... A música respira.
Mas claro, apenas minha opinião.
; )
Abração e parabéns!
dinheiro e tempo tudo que eu prescisava hauhauahau
parabens pelo trabalho
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