Costumamos associar o termo "distorção" à saturação de equipamentos, tanto analógicos quanto digitais. Amplificadores, alto-falantes e computadores possuem um limite máximo de operação. Se o sinal tentar ultrapassar este limite, a onda será achatada. Escutamos o famoso som de "caixa estourada".
No áudio digital, chamamos isso de clipping. Mas distorção é muito mais do que isso e pode ser audível mesmo que a forma de onda esteja linda, comportada, sem clips.
Por definição, distorção é qualquer tipo de alteração sofrida pelo original. Mesmo numa cadeia analógica, que seja de altíssima qualidade, o áudio gravado que escutamos sofre diversos tipos de distorções até chegar aos nossos ouvidos. Do momento original, onde o instrumento a ser captado gera o som, até o instante onde os alto-falantes reconstroem a onda acústica, o sinal passa por microfones, cabos, mídias temporárias e equipamentos diversos.
Cada um dos elos adiciona uma certa quantidade de distorção, mais ou menos perceptível, dependendo das condições de audição e da sensibilidade do ouvinte.
Sensibilidade do ouvinte - este é o foco deste artigo. Como anda nossa sensibilidade? A capacidade de reconhecer sons sujos e artificiais? Por que estamos perdendo esta habilidade? Vale a pena resgatá-la?



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