Microfonação de Bateria

Microfonação de Bateria - Dennis Zasnicoff - Produtor MusicalGravar AQUELE som de bateria não é tarefa simples. Quem já experimentou microfonar e escutar os resultados, provavelmente não ficou muito satisfeito com os primeiros testes. Estamos falando de 7, 8, 9, 10 peças, com sons bastante distintos, altos, tambores, pratos, peles que precisam ser afinadas, uma infinidade de opções de mixagem e captação (posicionamento, microfones), forte interação com a acústica do ambiente, enfim, detalhes e detalhes que podem fazer toda a diferença.

Dentro do escopo deste artigo, vamos assumir que:

  1. O músico sabe tocar bem e já tem alguma experiência com performances em estúdio
  2. Todas as peças estão devidamente afinadas e abafadas, quando necessário
  3. A acústica da sala é propícia para a captação
  4. A posição da bateria na sala foi escolhida de acordo com a sonoridade desejada

Neste ponto, procedemos com a captação. Se pudéssemos resumir as possibilidades de captação em dois, e somente dois estilos, então eu pegaria os extremos. São eles:

  • Microfonação Natural (minimalista, distante) - busca captar a sonoridade natural da bateria na sala, utilizando poucos microfones, simulando um ouvinte que escuta a performance ao vivo. Já podemos imaginar que este é o estilo de captação preferido para estilos como o Jazz. Deve-se ter em mente que neste cenário, dificilmente conseguiremos um som de caixa ou bumbo muito acentuado e não teremos muitas opções para variar timbres e proporções durante a mixagem. E ainda, como todas as peças estão misturadas nos mesmo canais de gravação, as possibilidades de edição são bem pequenas. Portanto, ela é realmente indicada quando os primeiros elos da performance (sala, instrumento, músico) não serão um problema e possuem alta qualidade técnica e musical. Nessas situações, e se for apropriado para o estilo musical, este tipo de microfonação é muito eficiente e pode soar maravilhosamente bem, além de ser relativamente fácil de gravar e mixar. MICROFONES: sabemos que são várias as "receitas" de microfonação de bateria e que costumam gerar debates quentes no meio da produção. Vou deixar apenas duas sugestões iniciais, que podem a funcionar bem para este tipo de captação. A primeira consiste em um par de microfones na configuração XY (cápsulas coincidentes e anguladas aproximadamente 110 graus) logo acima da cabeça do bateirista, apontados para o "meio do corpo" do instrumento - ou seja, abaixo do plano horizontal, praticamente na direção dos tons. Por que? Porque desta maneira estaremos captando o que o bateirista escuta, o que normalmente tem uma boa sonoridade e equilíbrio entre as peças. A segunda sugestão seria utilizar um par de microfones, agora em configuração AB (espaçados), na frente da bateria, apontados horizontalmente para o instrumento. Neste setup, deve-se experimentar com mais cuidado o espaçamento entre os mics, suas distâncias da bateria e a altura, que devem ser as mesmas para cada um. Se estiverem muito próximos ao instrumento, algumas peças soarão muito mais altas que outras. Se estiverem muito distantes, o som captado por um dos microfones será muito parecido com aquele captado pelo outro, perdendo-se o palco sonoro e criando problemas de fase / cancelamento / alteração de timbres. Comece com uma distância similar à largura do instrumento, mantendo os mics espaçados entre si por cerca de 2 metros. A altura dos microfones determinará a proporção entre pratos, caixa e bumbo. A primeira sugestão (XY) tende a ser menos passível de erros e mais fácil de mixar. Para ambos os casos, os microfones mais indicados são os de condensador.

 

  • Microfonação de Acento (multi-pista, pop) - A mais comum nas produções de música pop, procura microfonar cada peça da bateria individualmente. Desta maneira, as possibilidades de controle sobre o som captado e mixado são muito maiores - e mais trabalhosas! Além de termos cada som gravado em seu próprio canal, podendo alterar seu volume, equalização e compressão, é possível escolher tipos e sonoridades diferentes para cada microfone de cada peça, posicionamentos, nível de vazamentos, diminuindo a influência da sala  e permitindo um excelente controle de edição do aúdio gravado em cada canal. Por outro lado, é de se esperar que o resultado final não seja tão realista e não costuma soar como uma bateria verdadeira tocando em uma sala. Sem problemas, já que há muito tempo vários estilos de música não buscam o realismo, mas sim uma sonoridade e um punch irreal, bastante apropriados. O setup tradicional deste tipo de captação inclui microfones para: caixa, bumbo, tom hi, tom lo, surdo, ximbal, condução e pratos. A maioria destes microfones costuma ser do tipo dinâmico, para tolerar altas intensidades sonoras e minimizar os vazamentos entre os canais. Muitas vezes, os mics dos pratos (a condensador) são chamados de overhads e servem também para captar um pouco do corpo inteiro do instrumento. Quando há disponibilidade de mais canais e microfones, e deseja-se mais controle e variações sobre a sonoridade, são adicionados mics para: esteira da caixa (que estará sempre com fase invertida em relação ao mic da caixa!) e um par AB distante (similar ao caso minimalista).

Em ambos os extremos de captação citados, podem ser adicionados microfones de ambiência (ou sala), mais distantes e posicionados para captar a reverberação natural da sala, quando ela é acusticamente interessante. Dessa maneira, pode-se ajustar a "profundidade" da bateria na mixagem sem a necessidade de se utilizar reverbs artificiais.

Sendo casos extremos, as variações intermediárias são praticamente infinitas. Além da escolher que peças serão microfonadas, a seleção dos microfones, seus posicionamentos e como o áudio será tratado após a gravação fazem toda a diferença na sonoridade obtida. Por exemplo, um setup bastante comum consiste na microfonação natural, adicionada de microfones de ênfase para caixa e bumbo. Na dúvida, lembre-se que muitas vezes a melhor solução é a mais simples! Quanto mais microfones utilizar, maiores as chances de problemas... Portanto, melhor investir tempo e dinheiro na sala, instrumento e músico, do que tentar atingir o resultado através de captação e mixagem.

Para concluir, gostaria de destacar um estilo de microfonação, também minimalista, que alguns engenheiros têm utilizado com bons resultados. É o método "Recordermen", onde são utilizados apenas dois microfones (o que é particularmente interessante para pequenas produções), conseguindo-se mais destaque para caixa e bumbo. Os microfones devem ser posicionados cuidadosamente para captar bumbo e caixa com ênfase. Barbantes são utilizados para direcionar os mics e determinar as distância, que deve ser a mesma entre cada mic e a caixa. Mais detalhes no vídeo abaixo. Boas captações!

 

 

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