Quando escrevi sobre o Melhor Uso do Estéreo, esqueci de mencionar alguns truques que eu uso bastante. Aliás, o que não faltam são truques, macetes, rotinas que aprendemos (muitas vezes na marra) e nos ajudam na hora de gravar e mixar. Compartilhe as suas, é só logar e deixar um comentário aqui abaixo.
1 ESTÉREO = 2 MONOS
Já parou pra pensar que um canal estéreo não é nada mais, nada menos, do que dois canais monos com PANs extremos? O esquerdo com pan 100% Left e o direito com pan 100% Right. Agora vem a pergunta que você SEMPRE deve fazer, em qualquer situação da produção musical: "Quem disse que tem que ser assim?".
E se o canal esquerdo estiver 70% para a esquerda (portanto 30% para a direita) e o direito estiver 50% para a direita? O que isto muda no palco sonoro? E o timbre, permanece o mesmo? Como e por que eu deveria modificar o pan de cada lado? Vamos por partes. Primeiro, como fazer.
O controle de PAN de um canal estéreo, na realidade deveria se chamar BAL (balance). Veja no seu software/mesa qual a nomenclatura usada. O controle de BAL simplesmente modifica a proporção de intensidades entre os dois canais, gerando a impressão que o som resultante está mais para um lado ou outro. No entanto, o áudio de um canal NUNCA é deslocado para o outro, como acontece no controle de PAN.
Para acessar o PAN de cada um dos dois canais, o controle de BAL deve ser substituído por um controle de duplo-PAN. No Cubase/Nuendo, por exemplo, é só clicar com o botão direito sobre o controle e escolher (dual panner, ou combined panner). Outros DAWs também têm esta opção. Procure no manual. Em último caso, transforme o canal estéreo em dois monos, através de bounce/mixdown e coloqque-os alinhados em duas trilhas independentes, cada uma com seu PAN.
Por que fazer isso? Para ter mais flexibilidade na LARGURA e no POSICIONAMENTO de um instrumento estéreo! Quando gravamos um instrumento com microfonação estéreo, ou geramos um timbre por um sampler/sintetizador, nem sempre conseguimos o "TAMANHO" desejado. Baterias costumam soar artificialmente grandes e largas, pads de synths parecem envolver e embolar toda a mixagem.
Dependendo do estilo musical, é fundamental termos controle sobre o tamanho e o posicionamento do instrumento no palco virtual. No Jazz tradicional, frequentemente a bateria é "pequena" e deslocada, fora de centro. Não apenas algumas peças da bateria, mas o conjunto todo. Se ela foi captada por um par de mics estéreo, este ajuste torna-se fácil e funcional. Algumas técnicas de microfonação favorecem o controle de duplo-pan, mas não vamos entrar neste detalhes ainda. Se algumas peças da bateria também foram microfonadas individualmente, então cada trilha mono deve ter seu pan regulado para "casar" com a trilha estéreo principal.
O resultado, quase sempre, é poder variar a largura de um instrumento entre o extremo largo (captado) e o mono absoluto. Não se esqueça de escutar atentamente eventuais exageros e problemas de fase. Isso nos leva ao tópico do timbre. O timbre pode se alterar consideravelmente, principalmente se a microfonação é espaçada, como AB e ORTF. Escute, analise, decida, compense.
Na prática, vejo que poucos produtores e técnicos utilizam esta técnica. O resultado é que rapidamente, a mixagem se torna congestionada nos extremos. Cada vez que um elemento estéreo é adicionado, novas informações são jogadas na extrema esquerda e na extrema direita: guitarras, bateria, synths, reverb, delay. Não precisa ser assim. Quando mixar, lembre-se desta técnica e procure distribuir o som.
Repare como é interessante SEMPRE gravar um instrumento em estéreo. Está lembrado do Segredo de Bruce Swedien? Você terá muito mais controle sobre o palco. Além de um campo sonoro rico, detalhado, natural - o timbre e o realismo que só o estéreo proporciona. Afinal, temos dois ouvidos.
Teste de sistema e sala: coloque um CD de orquestra sinfônica, feche os olhos. Quantas posições distintas de panorama você consegue identificar?
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No próximo artigo da série: como "alargar" um áudio gravado em mono e como usar os ouvidos para acertar o pan de cada instrumento!
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Comentários
O próximo artigo deve responder algumas das suas perguntas!
Algo que sempre tento evitar é "isso deve ser feito assim". Nunca há regras. É importante conhecermos as opções para então escolher.
Por exemplo, som limpo de um lado e reverb do outro pode funcionar em ALGUNS casos.
Sobre "casar" o pan das peças da bateria com o overhead, certamente é importante, senão pode haver problemas de foco e timbre. Tbm é legal ajustar delays nas peças.
Abs!
Dennis
Já ouvi falar também que ao colocar um reverb em um instrumento você pode colocar o instrumento seco de um lado e o reverb de outro.
Quando se fala em bateria já ouvi falar que fica mais natural colocar as peças da bateria de acordo com o que for captado pelos microfones "overhead".
Uma outra dica que ouvi falar é que quando você quer separar os instrumentos você deve deixar o pan do master todo para um lado aí você vai alterando o pan do instrumento para este lado até que ele se destaque. Este seria o ponto ideal.
Na verdade o pan é um grande problema para mim. Gostaria de saber se as dicas acima são mitos ou verdade.
Abraços
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