Barulho da rua, vizinha de salto alto, baterista empolgado. Precisamos nos isolar acusticamente do mundo externo em várias situações.
Muitos bares e restaurantes dizem que contam com “Isolamento Acústico”. Simplesmente porque colocaram espumas no teto. Não vamos confundir “conforto” acústico com isolação. E a comida desce quadrada em um local barulhento.
As leis da acústica são simples: o som escapará por qualquer passagem existente. A diferença é que o som não enxerga obstáculos como nós. Um vidro simples de janela deixa passar grande parte do som incidente. Uma fresta na porta é suficiente para anular a sua nova porta acústica que saiu cara na reforma do estúdio. (para mais informações sobre tratamento acústico, veja este post)
Isolar 100% do som é praticamente impossível. Os primeiros 10% são fáceis, os próximos, mais difíceis, e assim por diante. Se uma estrutura conseguir isolar 60dB (decibéis), apenas 0,0001% da intensidade sonora chegará do outro lado. É uma grande atenuação. Mesmo para sons muito altos, sua percepção será praticamente nula. Principalmente se existirem ruídos ambientes (como aqueles emitidos por um computador ou ar condicionado) que mascaram o vazamento que conseguiu passar.
O problema é que portas e paredes normais não costumam isolar mais do 30dB. Assim, um som com intensidade de 80dB SPL (aspirador de pó) chegará do outro lado com intensidade 50dB SPL, bastante audível e normalmente acima do ruído ambiente de fundo. No isolamento, vale também a lei do elo mais fraco: se as paredes forem sólidas o suficiente (50dB de índice de isolação), mas a porta não passar de 30dB, então a sala terá como resultado um índice muito mais próximo de 30dB do que 50dB. Cada elo fraco deve ser tratado para um bom resultado do conjunto.
Normalmente, os elos mais fracos são portas, janelas e buracos na parede (tomadas, conduítes, ar-condicionado). Existe um princípio básico no isolamento acústico: quanto mais massa, melhor. Densidade, peso, espessura. As portas devem ser rígidas e pesadas. As frestas devem estar seladas com material denso e bem colocado. Use de preferência folhas duplas, com espaço de ar no meio. Para cada mudança de meio que o som sofre, menor a energia acústica transferida. O mesmo vale para janelas - vidros duplos, espessos, melhor ainda se não forem paralelos.
Uma outra dica é ficar atento à transmissão do som por contato físico. Os sons graves são como trens descarrilhados, ninguém segura. Eles vêm pelo piso, laje, colunas, vigas. São facilmente transferidos entre ambientes. Um alto índice de isolação nos graves requer pisos flutuantes, desacoplados da “terra”. Paredes duplas, conceito box-in-box (sala dentro da sala).
Você não imagina quantas gravações têm sons de caminhão acelerando ao fundo…
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