A masterização é uma das etapas menos conhecidas da produção musical. Estas são algumas dicas do que fazer durante a mixagem para facilitar o trabalho do engenheiro de masterização e não comprometer a qualidade da sua música. Para mais detalhes sobre as etapas de mixagem e masterização, baixe o Manual de Bolso da Produção Musical que está disponível gratuitamente neste site.
Uma boa instalação de masterização terá recursos especializados para analisar, identificar e corrigir problemas no áudio. Durante a mixagem, concentre-se na inteligibilidade e mistura dos elementos, procurando deixar as seguintes tarefas para o masterizador:
- Remoção de ruídos: eventuais clicks, pops e chiados (principalmente aqueles no início e no final da faixa) podem ser retirados ou minimizados durante a masterização. Obviamente, o ideal é que captações, processamentos e mixagem não adicionem artefatos indesejáveis ao áudio, mas a masterização tende a ser mais eficiente e rápida no controle de ruídos e distorções, além de utilizar ferramentas que terão o menor impacto possível no restante do áudio.
- Coversão de sample-rate: conversores "baratos" e "suspeitos" não costumam fazer um bom trabalho. O engenheiro de masterização saberá qual software ou hardware é o mais indicado para converter seu trabalho, por exemplo, de 96kHz para 44.1kHz, conhecendo os prós e contras de vários modelos disponíveis. A conversão, quando necessária, deve ser feita somente UMA VEZ, em uma etapa específica da masterização.
- Resolução de bits: os arquivos L+R da mixagem devem ser entregues para a masterização com resolução de 24 bits ou 32 bits ponto-flutuante. Assim, procure realizar todas as edições, processamentos e mixagens nestas resoluções, até o fim do mix. Qualquer etapa que abaixe a resolução para 16 bits adicionará distorções permanentes ao áudio, mesmo que este seja transformado para 24 ou 32 bits posteriormente. A master final em 16 bits (para CDs) será feita durante a masterização UMA SÓ VEZ, ao final do processo. Neste ponto, o engenheiro utilizará um algortimo de dithering compatível com o seu projeto, para que o áudio em 16 bits incorpore o máximo possível de dinâmica e detalhamento dos originais.
- Dithering: deve ser utilizado sempre que houver diminuição na resolução de bits. Portanto, quando estritamente necessário durante a mixagem, deve ser planejado para ocorrer o menor número de vezes possível, com bons processadores. Preferencialmente, mantenha a resolução alta durante todo o processo, para que ocorra somente um dithering, na masterização.
- Dinâmica: o engenheiro de masterização, com sua sala e ferramentas, deverá fazer julgamentos mais precisos sobre a dinâmica do áudio final. Não se preocupe com o volume do mix! O ideal é que a mixagem L+R tenha uma boa faixa dinâmica (mínimo de 12dB) para que a masterização possa entregar um volume alto com boa qualidade de áudio. Este é talvez um dos erros mais comuns das mixagens, cuidado com o uso irracional de compressores e limiters, sobretudo no barramento master L+R da mixagem.
- Fade-ins e Fade-outs: as transições de volumes nos extremos das faixas estão intimamente ligadas ao ruído percebido nestes trechos e dependem de outras etapas da masterização, como dithering e compressão multi-banda. Deixe os fades para a masterização, não há necessidade de fazê-los durante a mixagem.
- Equilíbrio tonal: se a mixagem não está soando tão equilibrada e parece ter vida própria, dependendo de onde é tocada (soa diferente no carro, no estúdio, no som da sala), evite tentar corrigí-la e trabalhe em colaboração com o engenheiro de masterização para identificar os problemas e receber orientações. É melhor tentar corrigir uma deficiência, do que corrigir uma correção de uma deficiência. Via de regra, quanto menos processamento (compressão, equalização, reverb) acumulado durante os processos, melhor a qualidade do áudio final.
- Volume dos vocais: as vozes são provavelmente o elemento mais difícil na busca de volumes e inteligibilidade. Procure gerar 3 versões diferentes da mixagem - Normal; Vox -1dB; Vox +1dB - para que o engenheiro de masterização tenha mais alternativas durante seu trabalho. Eventualmente, entregue os vocais em um sub-mix separado para que haja maior controle sobre variações de volume nas sessões da música. Alguns masterizadores também aceitam receber sub-mixes adicionais (baixo, guitarras, bateria) para utilizá-los em casos extremos onde não é possível atingir o resultado desejado, realizando uma "remixagem".
- Na dúvida, contate um estúdio de masterização antes de tomar decisões na mixagem que podem prejudicar o som final ou até mesmo, forçar que a mixagem seja refeita, gastando-se mais tempo e dinheiro.
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