AUDIÇÃO CRÍTICA - Dennis Zasnicoff

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Tocar, Editar ou Gravar?

(7 votos)

Passado o período de choque com a morte do rei, que incluiu péssimas reportagens, piadas de mal gosto e uma surpreendente falta de informação, alguns jornalistas estão revisitando a carreira de MJ  e descobrindo um empresário muito mais consciente do que se imaginava.

Em particular, este artigo por Eric Beall descreve as incursões de Michael Jackson pelo mundo do publishing (edição), suas aquisições de catálogos, motivos e visão comercial. O artigo segue com boas dicas sobre edição de músicas e porque este é um dos negócios mais promissores na Indústria.

"Tudo indica que a Edição, e não os Direitos de Master, é onde está o valor do investimento a longo prazo". Vamos analisar esta frase.

Edição de Músicas (publishing)Muitos músicos no Brasil não conhecem sobre o "business" como deveriam, a grande preocupação parece ser cantar, tocar e ser famoso. Enquanto que a renda poderia vir por outros caminhos, mais promissores e menos competitivos. Não que seja mais rápido, mas planejar carreira é apostar no longo prazo, certo?

Temos discutido bastante neste blog sobre a carreira de músico. Ou melhor, carreira na Música, porque "músico" soa como "vagabundo, não é profissão séria", dizem por aí. Mas enfim, o próprio músico precisa encarar a profissão como um leque de possibilidades. Já disse algo parecido antes e nunca é demais insistir: um médico pode realizar inúmeras atividades ou profissões. O músico também. Seus conhecimentos musicais lhe conferem a competência para realizar estas atividades, que outros profissionais não possuem. Competência = obsessão + talento.

Para isso, é fundamental que o músico iniciante faça um estudo destas possibilidades. Não precisamos pensar muito para listar algumas:

Compositor; Instrumentista; Professor; Produtor; Técnico; Intérprete; Editor; "Gravadora"; Arranjador; Regente, e por aí vai...

Enquanto o lado "MASTER" do negócio (que envolve os direitos sobre as gravações) está em profunda mudança, buscando um substituto para venda de discos, este mesmo lado começa e encontrar opções interessantes. Não importa o que aconteça com o perfil do consumidor, ele SEMPRE está buscando escutar músicas boas. Nas Rádios reais e virtuais, no Cinema, na Publicidade, nos Jogos, nos Vídeos do YouTube. Nunca se escutou e se produziu tanta música na história, e isso só vai crescer. Mas provavelmente, por um bom tempo, será difícil conseguir a renda que era comum nas décadas passadas.

O lado "PERFORMANCE", dos shows e das participações em estúdio, continua a todo vapor. Fã que é fã não troca uma boa apresentação ao vivo por nada. E paga caro por isso.

Agora, é o lado "COMPOSIÇÕES" que costuma ser pouco explorado por aqui. Talvez você não seja um compositor famoso e requisitado. E cá entre nós, são poucas as pessoas que podem viver da criação de músicas, porque compor uma boa música é difícil pra caramba... Mas por que não comprar os direitos de alguns compositores e promover a utilização das obras em MASTERS e PERFORMANCES? Este é o conceito por trás da EDIÇÃO (publishing).

Como regra geral - e estamos vivenciando este fenômeno exatamente neste momento - as boas músicas continuam sendo requisitadas, por anos e anos. Um editor que fez uma escolha certa há 10 anos atrás, hoje recebe rendas que podem ser muito maiores e frequentes do que as de intérpretes e as gravadoras. Este editor TAMBÉM é um músico, mas seguiu uma outra linha de atividade.

Quando uma editora adquire um catálogo, de artistas e repertório, passa a compartilhar com os autores os direitos de exploração das obras. E vai correr atrás para que as obras tragam renda, afinal, este é o negócio dela. Produtores novos e motivados estão buscando boas músicas para gravar! As Gravadoras adoram lançar clássicos em roupagem nova. Estas mesmas gravadoras, querem promover novos artistas no mercado e gerenciar turnês de shows com um repertório de primeira linha. Produtoras de video-games já descobriram que os jogos mais populares são aqueles que utilizam música para interagir com o usuário (vai me dizer que nunca experimentou um Guitar Hero?). As agências de publicidade sabem que uma boa música faz o telespectador pegar o telefone e comprar o produto por impulso.

Quem vai fornecer as músicas para eles? Lembre-se, como intérprete ou produtor, sua atividade é inevitavelmente limitada pelo seu tempo disponível. Como editor, as fronteiras se expandem...

(quem sabe, num futuro próximo, você possa não só produzir, mas divulgar e explorar suas músicas pelo "Audição Crítica Publishing" ;-)

 

Comentários  

 
0 #7 Editora / ECADzasnicoff 2010-02-23 12:14
citação ronan marcos:
ola! gostaria de saber se sendo só associado a ubc por exemplo, receberei direitos autorais, ou sou obrigado a editar. afinal a editora não é uma espécie de imobiliaria cuidando do meu "imóvel"? é rentável essa vida de compositor? afinal a música não faria nenhum sucesso se não fosse o "criador" abrs!!!

Olá Ronan, acredito que você esteja se referindo aos direitos patrimoniais de execuções públicas, como rádio, certo? Os direito autoral é seu naturalmente, e talvez vc tenha que provar isso no futuro. Mas para receber a arrecadação de execuções públicas, você deve se filiar a uma associação que tem relações com o ECAD.

Não conheço detalhes da UBC, mas certamente vc pode se informar com eles.

A função de uma EDITORA é um pouco diferente. Ela atua como sua procuradora para conseguir utilizações da obra em gravadoras, produtoras, agências. Eventualmente, pode ajudar com rádios e shows, mas a arrecadação de execuções públicas não parte dela. A editora poderia, por exemplo, negociar a gravação da sua música com um artista e receber uma porcentagem da negociação. abs!
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0 #6 Cursozasnicoff 2010-02-23 12:07
citação Natanael Jesus da Costa:
Oi Dennis, estou escrevendo para justificar a minha não participação nessa turma , é que estou comprando uma máquina melhor, pois a minha está muito lenta e estou tendo dificuldade em acompanhar o curso. Espero que voce me entenda e me mande avisar o começo do próximo curso. Fequei bastante interessado,no pouco que vi pude sentir o quanto poderei aprender com você.
Sem mais no momento, um abraço.

Olá Natanael, obrigado pela mensagem! Te espero numa próxima, vc pode se inscrever quando quiser, receberá mensagens sobre as próximas turmas, abs!
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0 #5 editora ou só ecad? 2010-02-16 12:46
ola! gostaria de saber se sendo só associado a ubc por exemplo, receberei direitos autorais, ou sou obrigado a editar. afinal a editora não é uma espécie de imobiliaria cuidando do meu "imóvel"? é rentável essa vida de compositor? afinal a música não faria nenhum sucesso se não fosse o "criador" abrs!!!
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0 #4 Natanael Jesus da Costa 2009-09-16 05:41
Oi Dennis, estou escrevendo para justificar a minha não participação nessa turma , é que estou comprando uma máquina melhor, pois a minha está muito lenta e estou tendo dificuldade em acompanhar o curso. Espero que voce me entenda e me mande avisar o começo do próximo curso. Fequei bastante interessado,no pouco que vi pude sentir o quanto poderei aprender com você.
Sem mais no momento, um abraço.

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0 #3 A escolha é sempre do artista 2009-08-05 04:57
Concordo com você Dennis e também observo muitas ocasiões em que artistas assinam contratos dos quais depois não se cansam de reclamar. Acho que muito em função das poucas oportunidades com que se deparam normalmente.

Talvez seja da natureza humana agarrar cegamente uma oportunidade que se espera há muito tempo, depois abrir os olhos e começar a enxergar os problemas, mas com certeza isso não é saudável para nenhuma das partes envolvidas.

Eu mesmo já ignorei certos detalhes em função de oportunidades que tive, mas pesei bem os prós e contras para que tomasse desisões conscientes, sem "chorar" depois.

É imprescindível que cada artista tenha consciência dos aspectos e consequências legais e financeiras de cada decisão que toma e se envolva mais nesses processos.

um abs!
Fabricio
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0 #2 Artista como Editordezasnic1 2009-08-04 05:53
Oi Fabricio,

Estes modelos de "Edição Compartilhada" e "Administração" são bastante comuns, sobretudo nos EUA. Acredito que esteja acontecendo cada vez mais no Brasil.

A idéia, como vc disse, é garantir ao compositor um maior controle sobre os direitos patrimoniais das obras, como e quando serão exploradas, bem como sua participação nas rendas.

Como todos contratos, em qualquer área de negócios, tudo depende do acordo entre as partes e do caráter abusivo que pode ser interpretado numa eventual disputa judicial.

Não vejo outra solução mais segura do que contratar um advogado especializado. A abertura da empresa de edição não deve ser um problema. Não tenho prática nem detalhes, mas seria simplesmente uma empresa prestadora de serviços.

A complicação está no contrato feito entre editora e artista, que pode variar muito e inclusive ser bastante original, caso a caso.

Nesse sentido, tenho certeza que existem editoras interessadas em catálogos pequenos, por períodos determinados. Mas provavelmente elas não estão buscando isto ativamente, senão veríamos anúncios nos sites da área e receberíamos mailing.

Eu redigiria um rascunho de contrato, com uma proposta, e enviaria para algumas editoras. Nunca se sabe! O compositor deve ter em mente que a Editora fará um serviço essencial, que ele provavelmente não sabe fazer e nem tem tempo e recursos para tal.

Assim, deve contabilizar o "custo" disso e planejar quanto espera ganhar naquele período: trata-se de uma divulgação inicial? Tem histórico de composições bem sucedidas? Pretende se envolver em aspectos legais e administrativos ? Quer agilidade e rapidez? Está buscando contratos com gravadoras ou inserções em filme/publicidade?

São perguntas importantes e é justamente aí onde vejo uma falta de preparo no compositor, e no músico em geral. Definir objetivos para sua carreira e se mobilizar, porque esperar alguém "descobrir" raramente é o caminho.

Uma coisa que muita gente esquece é que NINGUÉM É OBRIGADO A ASSINAR NENHUM CONTRATO. Parece óbvio, mas canso de ver artistas que assinam e depois reclamam. Eles podem e devem ser assessorados, negociar, fazer contra-propostas. Se a outra parte não aceitar, então é uma decisão dele cerder ou não.

Abs!
Dennis
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0 #1 Editora própria 2009-08-04 04:27
Oi Dennis, muito legal seu blog e os assuntos que levanta para discussão.

Já tive ocasiões como compositor em que analisei contratos para edição de minhas músicas e achei que o formato padrão desse tipo de contrato é muito engessado. Normalmente eles prevêem uma transferência definitiva dos direitos de "negociação" das obras.

Vejo muitos artistas optando por abrir suas próprias editoras e deixá-las administradas por editoras maiores. Assim, eu imagino, cedem a administração por tempo limitado e continuam donos de suas músicas mas, ao mesmo tempo, não precisam se ocupar da atividade diária de administrá-las.

Vc conhece o processo para abertura de uma editora? E editoras maiores que se interessem em administrar catálogos pequenos por períodos determinados?

um abs,
Fabricio
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