Passado o período de choque com a morte do rei, que incluiu péssimas reportagens, piadas de mal gosto e uma surpreendente falta de informação, alguns jornalistas estão revisitando a carreira de MJ e descobrindo um empresário muito mais consciente do que se imaginava.
Em particular, este artigo por Eric Beall descreve as incursões de Michael Jackson pelo mundo do publishing (edição), suas aquisições de catálogos, motivos e visão comercial. O artigo segue com boas dicas sobre edição de músicas e porque este é um dos negócios mais promissores na Indústria.
"Tudo indica que a Edição, e não os Direitos de Master, é onde está o valor do investimento a longo prazo". Vamos analisar esta frase.
Muitos músicos no Brasil não conhecem sobre o "business" como deveriam, a grande preocupação parece ser cantar, tocar e ser famoso. Enquanto que a renda poderia vir por outros caminhos, mais promissores e menos competitivos. Não que seja mais rápido, mas planejar carreira é apostar no longo prazo, certo?
Temos discutido bastante neste blog sobre a carreira de músico. Ou melhor, carreira na Música, porque "músico" soa como "vagabundo, não é profissão séria", dizem por aí. Mas enfim, o próprio músico precisa encarar a profissão como um leque de possibilidades. Já disse algo parecido antes e nunca é demais insistir: um médico pode realizar inúmeras atividades ou profissões. O músico também. Seus conhecimentos musicais lhe conferem a competência para realizar estas atividades, que outros profissionais não possuem. Competência = obsessão + talento.
Para isso, é fundamental que o músico iniciante faça um estudo destas possibilidades. Não precisamos pensar muito para listar algumas:
Compositor; Instrumentista; Professor; Produtor; Técnico; Intérprete; Editor; "Gravadora"; Arranjador; Regente, e por aí vai...
Enquanto o lado "MASTER" do negócio (que envolve os direitos sobre as gravações) está em profunda mudança, buscando um substituto para venda de discos, este mesmo lado começa e encontrar opções interessantes. Não importa o que aconteça com o perfil do consumidor, ele SEMPRE está buscando escutar músicas boas. Nas Rádios reais e virtuais, no Cinema, na Publicidade, nos Jogos, nos Vídeos do YouTube. Nunca se escutou e se produziu tanta música na história, e isso só vai crescer. Mas provavelmente, por um bom tempo, será difícil conseguir a renda que era comum nas décadas passadas.
O lado "PERFORMANCE", dos shows e das participações em estúdio, continua a todo vapor. Fã que é fã não troca uma boa apresentação ao vivo por nada. E paga caro por isso.
Agora, é o lado "COMPOSIÇÕES" que costuma ser pouco explorado por aqui. Talvez você não seja um compositor famoso e requisitado. E cá entre nós, são poucas as pessoas que podem viver da criação de músicas, porque compor uma boa música é difícil pra caramba... Mas por que não comprar os direitos de alguns compositores e promover a utilização das obras em MASTERS e PERFORMANCES? Este é o conceito por trás da EDIÇÃO (publishing).
Como regra geral - e estamos vivenciando este fenômeno exatamente neste momento - as boas músicas continuam sendo requisitadas, por anos e anos. Um editor que fez uma escolha certa há 10 anos atrás, hoje recebe rendas que podem ser muito maiores e frequentes do que as de intérpretes e as gravadoras. Este editor TAMBÉM é um músico, mas seguiu uma outra linha de atividade.
Quando uma editora adquire um catálogo, de artistas e repertório, passa a compartilhar com os autores os direitos de exploração das obras. E vai correr atrás para que as obras tragam renda, afinal, este é o negócio dela. Produtores novos e motivados estão buscando boas músicas para gravar! As Gravadoras adoram lançar clássicos em roupagem nova. Estas mesmas gravadoras, querem promover novos artistas no mercado e gerenciar turnês de shows com um repertório de primeira linha. Produtoras de video-games já descobriram que os jogos mais populares são aqueles que utilizam música para interagir com o usuário (vai me dizer que nunca experimentou um Guitar Hero?). As agências de publicidade sabem que uma boa música faz o telespectador pegar o telefone e comprar o produto por impulso.
Quem vai fornecer as músicas para eles? Lembre-se, como intérprete ou produtor, sua atividade é inevitavelmente limitada pelo seu tempo disponível. Como editor, as fronteiras se expandem...
(quem sabe, num futuro próximo, você possa não só produzir, mas divulgar e explorar suas músicas pelo "Audição Crítica Publishing" ;-)
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