
Estou tão acostumado a escrever no Blog que foi difícil ficar ausente nestas últimas semanas. Tentando botar os emails e pendências em dia, mas foi por um grande motivo: montagem do estúdio novo!
Quando comecei a trabalhar com produção, tive que decidir se valeria a pena projetar e montar um estúdio de gravação. Os dados desanimavam... Cansei de ver bons estúdios encerrando suas atividades, alguns deles bem equipados e tradicionais. Inclusive na Suíça, que parecia estar bem distante da crise fonográfica, o estúdio onde trabalhei estava mal das pernas. Aparentemente, o que o mantém funcionando até hoje é o seu restaurante, que serve clientes, técnicos, produtores e trabalhadores da zona industrial vizinha. Triste verdade, quase cômica.
Grandes estúdios perderam equipamentos e profissionais. Em São Paulo, muitos deles parecem descuidados, sem manutenção. Na verdade, a grande maioria deles é menos do que apropriada para gravações boas e confortáveis. Mas ainda assim, poderia alugar alguns poucos estúdios que ainda oferecem uma boa infra-estrutura.
Minha conclusão foi não investir em um estúdio de grande porte, com isolamento e tudo mais. Se tivesse uma boa sala para reuniões e mixagens, poderia alugar estúdios somente para gravar. Não me agradava a idéia de usar meu estúdio para ensaios e depender de alto giro para manter os custos. Sem falar nas questões de custo, localização, transporte, segurança, aluguel, obras e reformas.
O quarto do apartamento deu conta do recado. Trabalhei na acústica dele durante três anos e fiz vários testes de disposição até encontrar o layout ideal. Consegui encaixar até alguns sofás. Não era possível acomodar mais do que 5 ou 6 pessoas, mas funcionava muito bem para PRÉ-Produções e PÓS-Produções. Ou seja, tudo, menos gravação. É verdade que acabei gravando algumas pistas por lá mesmo, principalmente porque o vocalista se sentia mais confortável do que num estúdio grande e intimidador, mas a falta de espaço e isolamento não me permitia gravar uma banda ou receber muitos visitantes.
Foi então que apareceu uma oportunidade!
Recentemente, meu pai se mudou para a antiga casa da minha avó, em Itapevi, a 35km de São Paulo. Foi viver com meu tio, porque precisa de cuidados especiais e assim poderiam fazer companhia um para o outro. Durante a mudança, reparei que havia um salão de jogos abandonado, no prédio anexo do fundo. Fui investigar e aí tudo fez sentido: sala grande (pelo menos bem maior que o quarto do meu apartamento), silenciosa, com pé direito alto, paredes não paralelas, a 30 minutos da minha casa, sem utilização, com banheiro e churrasqueira. Por que não investir em uma reforma e montar meu estúdio!?
Fiz a proposta e meu pai adorou a idéia. Além de poder visitá-lo com maior frequência, seria ideal para o meu trabalho. Uma solução perfeita, pessoal e profissionalmente.
E foi assim que eu fiquei fora do ar nas últimas três semanas, fazendo as vezes de eletricista, arquiteto, marceneiro, decorador e projetista acústico. Em paralelo, eu e minha irmã aproveitamos para ajudar com uma mega faxina na casa principal. Comprei uma roçadeira de cortar grama e meu tio voltou a se exercitar. Foi ele quem pediu!
Uma pintura nova, troca de piso, quatro carretos com a Fiorino do sogro, transporte do piano, aterramento elétrico, tomadas novas, iluminação, peças acústicas, tablado acarpetado, eletro-dutos, globo espelhado giratório... opa, já está virando casa noturna, melhor parar por aqui. Neste exato momento, estou a poucos dias da inauguração.
Perdi alguns quilos e uma boa grana... mas tenho certeza que foi um bom investimento. De quebra, minha esposa Ana Paula recuperou o quarto do apartamento que, naturalmente, já está totalmente dominado por ela. E com razão, afinal me apoderei dele por vários anos. Vale comentar que ela também escolheu as cores das pinturas, os revestimentos do novo estúdio e me presenteou com lindas cadeiras!
Às vezes a gente espera uma vida inteira por uma benção dessas. Algo que aproximou a família e vai me permitir realizar novos trabalhos. Sou muito grato por esta oportunidade!
Pretendo receber mais pessoas, realizar os workshops presenciais na nova instalação e gravar bandas completas com excelente qualidade técnica e acústica. Caro leitor, espero te conhecer e te encontrar na "Boca do Grilo" em breve, seja para produzirmos algo ou para batermos um papo.
Aqui estão algumas fotos que tirei nestes últimos dias:

Boa área e iluminação natural. Chaminé da churrasqueira pode funcionar como aquecedor no inverno?

Banheiro e planta versátil, com forro e paredes irregulares.

Ana Paula em uma das 678 subidas de escadaria. A grama precisa de um retoque...

As tralhas foram se acumulando. Finalmente escolhi a posição da "técnica".

Cortinas de veludo em cabo de aço: dividindo os ambientes.

Anuk e Bebel também ajudaram e aprovaram o novo estúdio. Sala de estar já tomando forma.

Arrisquei e deu certo: tablado de madeira feito em casa, com funções acústicas e decorativas. Quebrei dois martelos na montagem.

Luz negra, globo e feixes de laser. Preparado para criar climas diferentes.

Cadê a fita isolante???

Belo pé direito. Eletro-dutos suspensos para uma boa iluminação. Opa, umidade... reparos e pintura à vista...

O piano se encaixou perfeitamente neste canto. Ventilador estrategicamente posicionado.

Precisou ser desmontado para passar na porta. Belo som, bem conservado.

E dentro uma surpresa: é de 1954! Saudades da vó tocando...

O difusor do estúdio antigo deu certinho nesta parede do fundo.

Como conciliar praticidade com acústica e visual?
Quanto ao grilo que batizou o estúdio, ele sempre aparece por lá, na churrasqueira do piso térreo.
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