A onda sonora emitida pelo instrumento se espalha no ambiente. Primeiro, chega diretamente ao ouvinte. Mas segue seu caminho, para várias direções, e atinge superfícies. Reflete. Para outras direções. Passa de novo pelo ouvinte. Continua adiante, reflete em outras superfícies, e em outras mais, atinge o ouvinte.
No mesmo instante, outras centenas ou milhares de reflexões estão ocorrendo. Algumas acabaram de passar pelo ouvinte, outras chegarão em frações de segundos.
Num curto espaço de tempo, o campo sonoro dentro da sala estará um verdadeiro caos. Milhares de ondas sonoras, de diferentes intensidades e fases, seguem o som original da fonte sonora, criando o que chamamos de REVERBERAÇÃO.
Colocando a "beleza" desta reverberação de lado (que é extremamente subjetiva, depende do ouvinte, do instrumento, andamento, estilo musical, contexto, entre outros), o fato é que o som final (resultante do som direto, das reflexões primárias, fortes e espaçadas e do campo reverberante que soa como uma cauda), depende totalmente da posição da fonte sonora, da posição do ouvinte (ou do microfone), da geometria da sala, de seu tamanho e dos revestimentos existentes.
Cada sala tem o seu próprio tipo de reverb. Para efeitos deste texto (mesmo porque cada literatura trata o assunto de uma maneira diferente), chamaremos de REVERB todo o som que segue o original. Portanto, o conjunto de reflexões primárias e tardias, que dependem das características acústicas da sala.
Em outras palavras, podemos dizer que toda e qualquer sala possui uma "impressão digital", única, característica, que determina como o som se comportará dentro dela. Algumas impressões digitais são bem conhecidas do público em geral. É provável que a grande maioria das pessoas identifique facilmente se um som foi gravado ou está sendo gerado dentro de um ginásio de esportes, ou de uma catedral. Cavernas, banheiros, salas de concerto, e por aí vai. E ainda assim, cada banheiro tem o seu próprio "som".
(Certa vez, em viagem à Nova Iorque, não pude deixar de reparar no som incrível de uma sirene do carro de bombeiros no meio da cidade, cercado por arranha-céus. Aí está um som bastante característico, como se Nova Iorque tivesse o seu próprio reverb inigualável.)



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