AUDIÇÃO CRÍTICA - Dennis Zasnicoff

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categoria: O Que é

O que é, afinal, Masterização?

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Plugin de masterização - MENTIRA!Apesar de polêmico e antigo, tenho a impressão que o assunto está voltando com tudo. Talvez porque mais e mais pessoas estejam percebendo que tirar um bom som no Home Studio não é tão fácil quanto se imagina. E aí recorrem à "masterização" na tentativa de salvar o projeto. Ou talvez por causa da crescente oferta de plugins que se dizem "especializados em masterização".

Tenho uns 2 ou 3 artigos sobre Masterização no blog, mas eles exploram muito o lado técnico da coisa. Neste texto, procurei escrever um pouco das origens deste processo e o que ele significa na prática.

O nome "Masterização" surge de um conceito bem simples: a geração de uma mídia MASTER, que será usada para a duplicação de cópias. Desde os primórdios da música gravada, sempre existiu algum suporte físico que contém o áudio, sendo utilizado para a geração de cópias que são reproduzidas pelo ouvinte.

O conceito é antigo e não está ligado a nenhum período tecnológico em particular. A existência de uma mídia master sempre foi e será importante. Seja por razões de arquivamento, seja por questões técnicas de duplicação, uma vez que toda cópia precisa ser feita a partir de uma fonte de alta qualidade que não pode se desgastar ao longo do tempo. É muito comum que uma master antiga seja reconstruída em uma nova master, para manter o áudio intacto por mais tempo.

Vale comentar que, mesmo hoje em dia, muitos rolos de fita magnética ainda são o principal registro (master) de produções antigas. Embora seja possível transferir o conteúdo musical para mídias mais modernas e potencialmente mais confiáveis, como DVDs e Discos Rígidos, a fita magnética é um excelente meio de armazernamento de áudio.

Fitas de boa qualidade podem durar por décadas e décadas, sem perdas notáveis, desde que devidamente armazenadas. Por outro lado, CDs, DVDs e discos rígidos não são tão duráveis quanto imaginamos e podem perder informações antes mesmo de 10 anos. Um processo comum para a conservação de masters consiste em se preparar a fita magnética original para uma última transferência, já que o processo envolve produtos químicos e tratamento térmico. O áudio é convertido para um formato digital de alta qualidade e várias masters, em diferentes mídias, são geradas e armazenadas. De tempos em tempos, novas cópias idênticas são realizadas. Há inclusive serviços online que se encarregam da duplicação regular e garantem redundância dos dados.

Em todo caso, temos que compreender que, até o momento, estamos falando somente de uma mídia que contém o áudio original e precisa ser armazenada ou duplicada para reprodução. Aí vem a pergunta: que áudio é armazenado na Master?

A respoista é simples: qualquer áudio que possa se mostrar importante para armazenamento e duplicação! Na produção musical, diferentes etapas geram áudios importantes que precisam de uma master.

Durante as gravações, frequentemente dezenas ou centenas de takes são realizados, até que todos os instrumentos e vozes executem suas partes com perfeição. Logo em seguida, um processo conhecido por "comping" edita e une os melhores trechos dos melhores takes, até que cada pista do projeto pareça ter sido gravada continuamente, perfeitamente. Neste momento, independente do formato de áudio e da mídia utilizados, existirá um áudio contínuo para cada instrumento e para cada faixa.

Aramazenar cada um dos takes por décadas não faz sentido. Além de ser muito custoso e trabalhoso, provavelmente os takes não serão re-utilizados. Mas o "comp" dos takes, estes sim merecem ser arquivados! Eles serão usados para a mixagem, tanto hoje quanto em eventuais remixes que aconteçam no futuro, como uma produção eletrônica com a voz do cantor. Portanto, existe uma master das gravações. De fato, nos tempos da fita magnética, diversos rolos devidamente etiquetados como "REC MASTER" eram gerados e arquivados. Cópias destas masters seriam então utilizadas para a mixagem, de maneira e não desgastar as mídias originais.

Repare que uma master não está necessariamente associada à última etapa da produção musical, chamada popularmente de "masterização".

Na sequência, a mixagem seria realizada e uma nova master, chamada de MIX MASTER, seria gerada e arquivada. Assim, o projeto poderia ser "re-masterizado" para variadas mídias e formatos no futuro. Quando lemos uma notícia que tal disco foi re-masterizado, normalmente a MIX MASTER foi retirada do arquivo para a geração de um cópia, sendo então "masterizada" para um formato final de consumo: um disco diferente do original (coletânea), um CD posterior ao vinil, um MP3 para download etc.

Esta última etapa é a mais conhecida e polêmica. Depois que a mixagem está pronta, o áudio precisa ser transferido para um formato de consumo. Vinil, CD, MP3 atc. Cada cópia do consumidor final é gerada a partir de uma master, chamada simplesmente MASTER, ou MIX MASTER.

Na época do Vinil (grande consumo de música e mídias), o áudio das fitas precisava passar por alguns processos técnicos antes de ser gravado no disco. Isto era necessárioa porque o disco de vinil tem algumas limitações técnicas. Por exemplo, não podem existir muitas diferenças de volume no áudio, porque isto faz a agulha pular. Também não era possível gravar muitas frequências graves, porque além do risco da agulha pular, a capacidade do disco seria drasticamente reduzida, não podendo comportar diversas faixas. Lembrando que cada lado de um vinil dificilmente passava de 20 minutos, o que já era um desafio para um álbum de cerca de 12 músicas.

Dessa forma, o áudio precisava ser equalizado, comprimido/limitado e eventualmente recortado para caber no disco de uma maneira segura, com boa qualidade de reprodução para o consumidor. Nesta época, o processo de masterização passou a incorporar atividades artísticas, além das técnicas.

As músicas tocadas no rádio também precisavam de um tratamento adequado, principalmente porque o ruído do rádio era muito alto e precisávamos de um áudio alto e claro. Por isso os discos ou fitas enviados para as rádios costumavam ter uma masterização diferente. Atualmente, diversos estudos provam que um CD masterizado não precisa ser re-masterizado para rádios. O áudio soará muito bem, porque a própria rádio realiza processamentos especiais, além da qualidade do rádio atual ser bem melhor do que no passado. Mito derrubado: uma música não precisa ser masterizada especialmente para rádio. É claro que, em alguns casos, deseja-se uma versão reduzida, ou até mesmo prolongada, para clubes e boites, e isso deve ser encarado como um remix.

Veja, leitor, que a partir deste ponto, começamos a perceber que cada masterização tem um objetivo específico, de acordo com a mídia e com a utilização que será feita! Este é o conceito real de uma masterização: gerar uma master que, por sua vez, é duplicada em cópias que são usadas para um objetivo específico.

Cada mídia tem suas limitações técnicas e cada masterização precisa se utilizar de processos técnicos e artísticos para a melhor experiência possível do ouvinte.

Com o surgimento do CD, as limitações técnicas diminuiram. Embora ainda fosse importante planejar alguns critérios técnicos, principalmente referentes à duplicação e compatibilidade com players, passou a existir uma maior liberdade artística. O áudio poderia ser bem dinâmico, sem limitações de frequências e volumes. Neste ponto, os processos artísiticos tomaram uma força maior e a masterização passou a ter o potencial de modificar profundamente o "som" dos discos.

E foi aí que as confusões começaram!

Uma vez que o engenheiro de masterização possuia know-how e ferramentas para tratar o áudio, as mixagens já não eram realizadas com tanto cuidado e jogava-se a responsabilidade do som final à etapa de masterização. Grande engano! Uma produção deve ser realizada independentemente do formato de áudio ou mídia que serão utilizados. Mesmo porque, uma mesma produção pode ser gravada em várias mídias diferentes, ou em formatos que ainda nem existem e sejam utilizados no futuro!

Hoje em dia, formatos como o MP3 também exigem cuidados especiais durante a masterização. E nem por isso o produtor deve criar um mix diferente. Como saber se o ouvinte escutará um disco ou um MP3? MP3 de alta qualidade ou de baixa qualidade? Usará ou não fones de ouvido?

Um bom mix permite a criação de diversas masters, quando necessárias. E uma boa master, geralmente soará bem em diferentes formatos e situações do ouvinte.

É fundamental que o produtor e a equipe de produção façam uma MIX MASTER de alta qualidade, com a sonoridade mais próxima possível do resultado final que se espera. Dessa forma, o engenheiro de masterização poderá se concentrar nas atividades importantes da masterização, e não em assuntos de responsabilidade da equipe de produção.

Esta mentalidade equivocada levou muitos produtores a pensar que o MIX não precisava mais ter um som final, perfeito, comercial. Que ele seria lapidado e finalizado durante a masterização. Mas dificilmente uma masterização poderá melhorar drasticamente o som, muito menos "salvar" uma produção mal feita.

Atualmentea, muita gente (muita gente mesmo) espera que suas produções soem profissionais após a masterização. Não se engane: a masterização eventualmente pode melhorar alguns aspectos do som, mas esta não é sua função principal. Seu objetivo é gerar uma master confiável, que possa ser duplicada sem problemas técnicos de gravação e reprodução. O som é responsabilidade do produtor!

Para complicar, fabricantes de equipamentos e plugins passaram a vender produtos que se dizem "especializados em masterização". Como se masterizar fosse uma ferramenta, e não um processo. Simplesmente não existe um plugin ou um preset que possa masterizar uma música. Masterizar requer ouvidos treinados, alto conhecimento técnico, um sistema de áudio apropriado, uma sala acusticamente tratada para esta função e, somente depois disso, algumas ferramentas.

Se o mix não está soando bem, então ainda não é hora de masterizar!

Uma das grandes vantagens de se delegar a masterização para outro profissional é a possibilidade de termos nossa produção avaliada por um terceiro. O engenheiro de masterização não se importa com o estilo musical, nem com o arranjo e muito menos com o seu gosto pessoal. Ele foi treinado para escutar o SOM e é isso que fará. Tomará decisões técnicas e artísticas para o som seja o melhor possível, para aquele tipo de mídia e para aquele objetivo. Ponto. E sempre nos beneficiamos de uma opinião "fria", de alguém que não esteve envolvido no processo de produção!

Quanto aos processos realizados durante a masterização, cada projeto pede algo diferente. Acredite, não existe uma regra. E é por isso que o áudio do mix precisa chegar limpo, neutro, dinâmico, natural, "cru", sem muitos processamentos. Só assim a masterização poderá realizar suas atividades com eficiência.

Quase todas as mixagens que recebo para masterizar já estão pré-masterizadas. Isso significa que alguém já tentou masterizar antes da hora, sendo que não existe um motivo para isso. Lembre-se: o áudio ainda não foi masterizado e alguém está sendo contratado para isso, então não é necessário comprimir, limitar, equalizar ou realizar qualquer outra atividade que será feita na masterização. Afinal, o ouvinte só vai escutar a versão masterizada.

Seria como pré-pintar uma parede e depois chamar o pintor profissional. Para quê? Talvez o pintor tenha que lixar a parede, e aí a pré-pintura terá sido inútil. Talvez a primeira demão atrapalhe a segunda. Talvez quem pintou não saiba pintar muito bem. A comparação é banal, mas é verdadeira.

A equipe de produção (músicos, técnicos, produtor) deve se concentrar na produção, no mix. O resto é resto e será feito durante a masterização.

Para mais detalhes técnicos, veja outros artigos neste blog. (procure pelo termo "masterização" na ferramenta de procura, irá encontrar vários! Aqui estão dois deles: Etapas da Masterização e Preparando o Mix para Masterização).

Talvez a melhor dica para quem pretende enviar um trabalho para masterização seja: comunique-se bem com o engenheiro de masterização. Quais são as intenções? Mídias? Público? Quantidade de faixas? Single? Álbum? Volume? Timbre? Existem referências para ele escutar? Qual o objetivo? Certamente o engenheiro de masterização saberá dizer onde se pode chegar, definir expectativas e eventualmente sugerir correções no mix.

A masterização pode alterar o som sutil ou drasticamente. Isso não importa, o que vale é o resultado final, o som que o ouvinte irá escutar. Uma boa masterização faz um álbum soar coeso, mesmo que diferentes profissionais, equipamentos e salas tenham sido usados durante a produção. Ela extrai o melhor do mix, mas não pode profissionalizar um mix que não tem potencial.

Sabe qual o melhor plugin de masterização? Aquele que está desligado!

 
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