Imagine uma câmara totalmente isolada do mundo externo, assustadoramente silenciosa, onde todo o som gerado é rapidamente absorvido. Isso é uma câmara anecóica.
Quando os fabricantes de microfones e caixas-acústicas precisam testar seus equipamentos, este é o ambinete ideal para os ensaios. Numa sala totalmente absorsiva, sem ruídos externos, os equipamentos podem desempenhar seu papel sem nenhuma interferência do ambiente. Não existem reflexões do som e portanto nenhum fenômeno decorrente delas, que são: ressonâncias, efeito de filtro-pente, distorção de timbres, perda de foco da imagem estéreo, ecos, atrasos e recerberação.
É como se a sala não existisse. Talvez o exemplo real mais próximo seria estar no meio do deserto, longe de qualquer fonte de som. Mas ainda assim, existiriam as reflexões do solo de areia, que apesar de altamente absorsivo, reflete um pouco das ondas sonoras. Como não é prático fazer testes no deserto, câmaras anecóicas são contruídas para essas e outras finalidades.
A sensação de estar dentro de uma sala anecóica é no mínimo perturbadora. Desde que nascemos, nossa audição foi condicionada a interpretar os mínimos detalhes do campo sonoro, incluindo essas pequenas reflexões do ambiente, que nos ajudam a determinar fatores como tamanho da sala, distância da fonte sonora, existência de obstáculos, tipos de materiais e revestimentos, volume do som, localização horizontal e vertical. Daí a importância de boas gravações e mixagens.
A todo momento estamos inconscientemente processando essas informações no cérebro. Juntamente com a visão, são também responsáveis pelo nosso senso de equilíbrio. Para um cego, a capacidade de interpretar o som é ainda mais apurada. Experimentos com deficientes visuais mostram que eles tendem a perder o equilíbrio instantaneamente quando entram numa sala anecóica.
A maioria das pessoas logo percebe que se trata de uma experiência não-natural. Certa vez um amigo relatou sua visita à uma destas salas. Passado o choque inicial, começou a escutar as batidas do seu coração. Em alguns minutos, o sangue bombeado podia ser ouvido logo após os pulsos do batimento. Mais um tempo de adaptação e um ruído agudo era notado, provavelmente originado dos sons do corpo fazendo o tímpano vibrar. Neste momento a bad trip ficou incontrolável: "Quero sair!!!!"
| < Anterior | Seguinte > |
|---|








