No áudio, como profissionais ou consumidores, estamos sempre fazendo comparações:
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Tal CD é mais alto e "potente" do que outro
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Este MP3 soa igual à música original do CD
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Este equipamento tem mais graves do que aquele
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Este fone de ouvido é pior do que aquele
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Tal caixa de som é incrivelmente transparente
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Esta mudança que fiz na mixagem está soando melhor
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A equalização durante a masterização prejudicou a sonoridade
Podemos seguir com dezenas de exemplos, mas provavelmente você já se identificou com alguma situação. Natural, pois sempre estamos colocando nosso senso crítico para funcionar, com o objetivo de tomar decisões pensadas e recompensadoras.
O grande problema das comparações - e já ouvimos isso antes - é comparar maçãs com bananas. No áudio, temos que nos lembrar que qualquer mudança nas condições de audição, por menor que seja, transforma uma maçã em banana e já não podemos fazer uma comparação fundamentada e confiável.
Por outro lado, fabricantes, audiófilos, produtores, engenheiros e consumidores PRECISAM fazer comparações o tempo todo. Podemos até dizer que, no final do dia, o trabalho de um produtor musical é fazer comparações e tomar decisões. Para que todos nós possamos comparar com propriedade, alguns cuidados devem ser tomados.
Nunca modifique mais do que um elemento entre as duas audições que está comparando. Se o objetivo é escolher o melhor cabo de caixa-acústica, o plugin mais interessante ou o microfone mais apropriado, mantenha todas as outras variáveis inalteradas. Quando trocar o cabo da caixa-acústica, certifique-se de que o mesmo trecho de música será tocado, no mesmo volume e que esteja escutando na mesma sala e posição de audição. Quanto substituir o plugin dentro do software de mixagem, mantenha os demais inalterados e, mais uma vez, escute no mesmo volume. O mesmo vale para os microfones - mesma música, mesmo instrumento, mesmo intérprete, mesmo volume de monitoração.
Repare como as palavras "mesmo volume" estão sempre presentes. É aqui que mora o perigo! A psico-acústica explica como funciona a nossa percepção auditiva e indica que tendemos a preferir os sons mais altos. Pelo menos por alguns instantes. Isso significa que um amplificador de guitarra barato, tocando alto, provavelmente soará melhor do que um modelo valvulado e caríssimo, se este último estiver tocando 10dBs mais baixo. É assim que nosso cérebro funciona no curto prazo. Com o tempo, lá pelos 2 minutos de música, já sentiremos, por exemplo, que o som do primeiro amplificador não é tão agradável assim, que gera distorções agressivas ou soa desequilibrado. Se o segundo amplificador, melhor e regulado, estivesse tocando no mesmo volume, escolheríamos ele, e gostaríamos de sua sonoridade por MUITO MAIS tempo, sem sofrer fadiga auditiva.
A receita é simples, sempre faça comparações no mesmo volume. Qualquer alteração de intensidade pode nos desviar de um julgamento objetivo. Isso pode significar que você precise de um decibelímetro, dependendo do grau de importância da comparação.
Uma comparação A/B consiste em se tocar o mesmo trecho de música, obviamente no mesmo volume, mantendo todas as varíaveis inalteradas com excessão de uma, a que será julgada. Os trechos são alternados sucessivamente até que as diferenças sejam claramente audíveis. De preferência, se estiver fazendo o teste para uma outra pessoa, não diga o que é A e o que é B. Marcas, modelos e preços podem tendenciar a resposta.
Variantes da comparações A/B podem ser ainda mais eficazes, como A/B/A/pausa/A/B/A ou então A/B/X, onde X é escolhido aleatoriamente sem que o avaliador saiba, devendo o mesmo escolher se X é melhor ou pior.
Particularmente durante a masterização, diversos processamentos são realizados em cascata, sendo que a maioria deles altera consideravelmente o volume. Para que o engenheiro tome decisões corretas, o volume do áudio anterior ao processamento deve ser anotado e um "compensador de volume" deve ser utilizado junto com o processamento para que as duas versões soem com a mesma intensidade. Utilizando um plugin compensador, o engenheiro pode rapidamente ligar e desligar o rack de efeitos, criando comparações A/B em tempo real, sempre no mesmo volume.
Resultado? Você pode se surpreender ao perceber que aquela equalização que parecia maravilhosa, na verdade, piorou o som. Ou ainda, que o áudio comprimido que soava mais alto e melhor, na verdade, estava distorcido e sem vida. Uma conclusão imediata quando você colocou o áudio original no mesmo volume e fez uma comparação A/B.
Bons julgamentos!
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