Re-Amp

RE-AMP original, na versão 2Usada desde a década de 30, a técnica de re-amp foi oficialmente batizada e difundida para o grande público em 1993, com  lançamento do primeiro equipamento dedicado: o REAMP.

Re-amping consiste em re-gravar uma trilha já gravada, para se obter timbres diferentes. O sinal previamente gravado é reproduzido por um amplificador / caixa-acústica em uma sala e o resultado é microfonado para uma nova trilha do gravador. A caixa de re-amp basicamente converte um sinal do tipo LINE para um sinal do tipo INSTRUMENTO, que pode então ser conectado a um amplificadores de guitarra.

Exemplo clássico: para conseguirmos o "timbre perfeito" para a trilha de guitarra. Guitarristas sabem que o som de um combo (com suas válvulas, distorções, harmônicos e alto-falantes) é insuperável por plugins de computador. A sonoridade de uma guitarra soando alto em uma sala consegue trazer todo o peso e o timbre desejado para a produção.

Re-amping em açãoA experiência se torna ainda mais interessante quando dispomos de vários modelos de microfones, ou quando a sala possui uma acústica que contribui para o resultado. É só variar amplificadores, microfones e o posicionamento dos combos e mics para uma infinidade de timbres diferentes.

Legal, só que toma um belo tempo. Usando re-amp, o guitarrista pode gravar sua parte e ir para casa. Mais tarde, o produtor pode fazer os experimentos, selecionando salas, amplificadores e posicionamentos, até conseguir o som desejado.

Veja outras situações onde re-amping pode ser útil:

- Problemas com barulho à noite: grave as guitarras secas em linha (sinal elétrico direto para o gravador), sem passar por amplificadores e microfones. Na manhã seguinte, faça re-amp. (Mais sobre sinais em-linha e D.I.s neste artigo)

- Entrosamento com a banda durante a gravação: alguns guitarristas preferem gravar junto com o resto da banda. Mas para que baixo e guitarra não vazem nos microfones da bateria (e vice-versa), grave as cordas em linha, enquanto os músicos monitoram a performance com fones de ouvido (e possivelmente algum plugin de simulação de amp). Mais tarde, utilize re-amp para gerar o timbre perfeito.

- Precisa de novos timbres / camadas para a música? Houve algum problema na gravação original? Se você tomou a precaução de gravar uma cópia em linha enquanto microfonou o amplificador, este áudio seco pode ser re-amplificado na sala para se obter aquela camada harmônica e reverberante que se encaixa perfeitamente com a original. Ou então, para substituir a gravação original que veio a se mostrar muito distorcida ou reverberante.

- Se o Plugin não convence, experimente re-amp em um bom estúdio de gravação. Pode fazer toda a diferença.

- Muitos modelos de combos e pedais? Varie equipamentos e configurações. Conheça as melhores salas e as melhores posições dentro da sala. Quando tiver um tempo, faça re-amp e escute os resultados, assim você não atrasa a sessão de gravação e não precisa fazer decisões sob pressão. Que tal gravar vários MICs e trilhas ao mesmo tempo, para escolher depois?

- Dobras de voz criativas. Quem disse que re-amp só funciona para guitarras? Mande aquela gravação de voz para a sala e microfone. Você pode ficar surpreso com o timbre resultante. Uma leve distorção, pequeno atraso, harmônicos.

- Reverb natural. Se a sala é boa, por que não utilizá-la como câmara de reverb? Principalmente se bateria e voz já gravaram nela. Utilizar o reverb natural da sala nas outras trilhas vai ajudar na consistência do mix. Reproduza as pistas dos instrumentos na sala e posicione o(s) mic(s) à distância. Este é o reverb à moda antiga, natural, extremamente complexo e convincente. Difícil de ser simulado no computador.

Portanto, caro leitor, sempre grave uma cópia em linha, você nunca sabe quando ela poderá ser útil. Havendo tempo, use e abuse da sala. Ressucite aqueles pedais e amplificadores velhos que estão encostados, cheios de pó. Se a criatividade persistir, leve o combo para a igreja do bairro e peça permissão para fazer re-amp em um horário alternativo. Lembra-se do ginásio da escola? Experimente. Converse com os estúdios, quem sabe eles liberam 20 minutos do domingo de manhã, para você re-amplificar aquelas gravações em linha que você fez no quarto...

 

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