TT DR Meter - Medidor Grátis de Margem Dinâmica

Uma das ferramentas que mais uso para mixar e masterizar.

tt_dynamic_range_meterUPDATE: Se não conseguiu baixar o plugin pelo link do artigo, experimente este:
http://www.brainworx-music.de/en/downloadrequest

Baixei a primeira versão há cerca de 2 anos, quando me cadastrei no Pleasurize Music para apoiar o fim da Guerra dos Volumes (mais artigos sobre a Guerra neste blog).

Hoje, na versão 1.4a, pouca coisa mudou, mas continua sendo o melhor medidor de níveis que eu conheço, mesmo sendo gratuito.

Talvez não tenha a ambição de um padrão como o K-System de Bob Katz, opções ou detalhamento de alguns medidores mais específicos, mas o DR meter é excelente para indicar o que é essencial na música: a Margem Dinâmica.

A Margem Dinâmica (prefiro usar este termo ao invés de "Faixa Dinâmica", que seria a tradução direta e incorreta do original "Dynamic Range") indica a diferença entre os picos e a média do áudio.

Ou seja, não importa qual o valor absoluto dos picos, o volume RMS, nem mesmo qual o piso de ruído, DR sempre será a distância média (em dB) entre picos e nível médio, que muitos chamam de crest factor.

A margem dinâmica, ou DR, é uma maneira rápida e confiável de representar o quão DINÂMICA é uma música.

Há muito tempo se sabe que os sons naturais - a música ao vivo, instrumentos reais e bem captados - são dinâmicos. Possuem contraste de volumes, detalhes, picos, transientes. Fatores que indicam naturalidade, realismo, sendo agradáveis aos ouvidos.

Uma simples voz, em narrativa ou no meio de uma conversa, possui uma margem dinâmica de aproximadamente 18dB. Isto significa que o volume varia até 18dB acima de um valor médio, no qual ela se encontra a maioria do tempo.

É esta dinâmica (variação, contraste) que justamente confere realismo à voz. Certas inflexões, a interpretação do locutor e até mesmo sons naturais de consoantes e fonemas, precisam desta grande variação de volume. Do contrário, a voz soaria totalmente sem vida, sem emoção ou naturalidade, podendo até se tornar ininteligível.

Instrumentos também precisam de um mínimo de dinâmica e assim, de uma maneira geral, toda e qualquer música deveria ter uma dinâmica razoável, próxima à real, para soar convincente e agradável.

Dito isso, sabemos que alguns estilos musicais pedem sons mais constantes, uniformes, de modo que tudo possa soar alto e notável, quando o ouvinte ajustar o volume. Se existisse muita dinâmica, as passagens mais altas soariam MUITO altas forçando o ouvinte a abaixar o volume. E aí, as passagens mais fracas passariam despercebidas, forçando o ouvinte a aumentar o volume. É claro que qualquer música que faça o ouvinte constantemente ajustar o volume não é nada interessante.

Estilos como alguns da música erudita, que incorretamente chamamos de "música clássica", pedem muita dinâmica porque assim são os concertos ao vivo. Uma orquestra é naturalmente dinâmica, com um DR em torno de 20dB. Boas gravações e produções do estilo devem manter esta margem. Os ouvintes estão esperando por isso, já sabem como regular o volume do seu sistema de reprodução, normalmente estão numa sala confortável e silenciosa e esperam surpresas e grandes variações de volume.

No outro extremo, a música produzida para ser ouvida dentro de um avião não pode e nem deve ter muita dinâmica, afinal o ruído externo é muito intenso (da ordem de 70dBC). Como não é saudável ouvir num volume superior a 100dBC, resta-nos apenas 30dB de margem para encaixarmos todos os sons, nuances e clímax da música.

Colocando de lado estas situações extremas e, mesmo considerando que muitos ouvintes hoje em dia escutam suas músicas em players portáteis em locais barulhentos, toda e qualquer música deveria ter ao mínimo 10dB de margem dinâmica, 10dB de variação de volume, para a música poder respirar e não soar chapada nem distorcida.

Dá até para encarar 8dB de margem em alguns estilos e situações. Como produtor, eu dificilmente produzo algo com menos de 12dB de margem e em muitos casos, 14dB.

O problema é que, durante a mixagem, costumamos perder a referência. Sem perceber, variamos o volume de audição continuamente. Nossos monitores trabalham em diferentes volumes durante a sessão de mixagem. Cada novo plugin altera o som e possivelmente a equalização e o volume. Isso nos leva a novas mudanças de volume. Usamos e abusamos dos compressores, que como o próprio nome indica, são "matadores" de margem dinâmica. E assim seguimos, com mais compressão para escutar mais alto (o volume é viciante!), colocamos limiters e por aí vai.

Se não tomarmos cuidado, no final do dia de mixagem, facilmente, nosso áudio já está totalmente comprimido e sem vida, com uma margem dinâmica bem abaixo de 10dB.

Para não cair mais nestas armadilhas e não me perder entre ajustes de volume de monitoração e taxas de compressão, utilizo um sistema de monitoração calibrado em 83dBC, com marcações claras no controle de volume. Com o tempo, acabei me acostumando com volumes e margens naturais. Mas mesmo assim, dependendo de quantas horas já estou mixando e do nível de fadiga auditiva, corro o risco de começar a comprimir demais a música.

É aí que entra o DR meter.

Colocando-o no barramento master, deixo-o ligado o tempo todo, preferencialmente visível numa tela secundária. Se você não usar dois monitores, traga-o para frente de tempos em tempos, mas evite deixá-lo visível o tempo todo para não se distrair.

Desta forma, de tempos em tempos, consigo verificar visualmente se não estou cruzando a barreira "proibida". Quando o mostrador começa a sair do verde para o amarelo, é sinal que a margem está chegando em 12dB. Se vermelhar, já passei do ponto faz tempo!

Deixo sempre no verde, principalmente nas mixagens, para que a masterização receba um áudio com bastante margem para trabalhar. Tipicamente, acima de 15dB.

De quebra, posso verificar equilíbrio no panorama, valores dos picos, volume RMS, compatibilidade mono, correlação e eventuais problemas de fase. Tudo isso, num único medidor. FREE!

http://www.pleasurizemusic.com/es/es/download#menu1

Ou veja se ainda está disponível gratuitamente em:

http://www.brainworx-music.de/en/downloadrequest

cd_heliorafaBaixe e experimente, acostume-se a verificar o DR da sua música. Você também pode usar a versão offline (não-VST) para medir pastas inteiras no seu computador e descobrir qual o DR dos seus discos preferidos, ou de suas últimas produções.

Os benefícios são grandes e notáveis. Em pouco tempo, sua música ganhará vida, pulsação, punch, dinâmica. Lembre-se, quem escolhe o volume de audição é o ouvinte. Nossa responsabilidade é produzir algo que soe bem, natural, emocionante.

Os fabricantes do DR Meter sugerem que você se cadastre no site e apóie a causa. Eu também recomendo! Aliás, tenho incluído o logo do DR em alguns CDs, seguindo o exemplo de alguns colegas fora do Brasil. Quem sabe um dia não se torna uma referência de qualidade, ou ao menos de dinâmica, para o consumidor!?

 

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