Já discutimos neste blog o problema da Guerra dos Volumes (veja o artigo aqui). Um fenômeno que está intimamente ligado ao que se chama "dinâmica". A palavra dinâmica sugere variação, diferenças. Diferenças remetem a contraste, interesse.
Assim podemos relacionar: DINÂMICA = VARIAÇÃO = INTERESSE = IMPACTO = EMOÇÃO
Na música, o termo normalmente se refere às diferenças de volume, ou nível de som, entre diferentes partes de uma canção (macro-dinâmica) ou até mesmo dentro de uma sessão ou frase (micro-dinâmica).
Se considerarmos que nossa audição é capaz de perceber volumes que variam de 0dB SPL (limiar de audição) a 140dB SPL (limiar da dor), e generalizarmos que e menor diferença de volume claramente percebida é de 1dB, poderíamos concluir que nós percebemos 140 níveis diferentes de volumes.
Nas situações normais de audição, existe um ruído ambiente (trânsito, ar condicionado, pessoas conversando) de aproximadamente 40dB SPL. Portanto qualquer som mais baixo seria encoberto e "mascarado" pelo barulho de fundo. No outro extremo, raramente escutamos sons acima de 120dB, tanto pelo desconforto, quanto pela limitação técnica de mídias e equipamentos. Concluímos: as músicas poderiam e deveriam ter, no mínimo, 80dB (120-40) de variação de volumes = Faixa Macro-Dinâmica.
O mais importante, no entanto, não é a macro-dinâmica total, mas sim a relação entre o VOLUME MÉDIO e os PICOS DE VOLUME de uma música (micro-dinâmica). Se o nível médio é muito baixo, o ouvinte terá que aumentar o controle de volume para escutar bem a música. Como resultado, as passagens mais fortes poderão soar MUITO ALTAS, causando desconforto, distorção ou até mesmo dor e dano aos equipamentos. Por outro lado, se o volume médio é muito alto, o controle de volume será abaixado, fazendo com que os sons mais fracos e nuances da música não possam ser escutados (mascarados pelo ruído ambiente). Pior - haverá pouca faixa dinâmica restante entre a média e o pico - a música perderá impacto e emoção.
O segredo está em se encontrar uma boa relação entre média e picos - proporcionando ao mesmo tempo: impacto, variações, conforto, detalhamento de nuances e clareza. Dependendo do estilo musical, essa diferença deveria estar entre 10 e 20dB, chegando a números maiores em produções sinfônicas e outros estilos mais realistas. Podemos considerar que uma micro-dinâmica de 10dB é bastante aceitável, refletindo em uma audição bem dinâmica e realista. CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA: azul=pouca dinâmica (pop atual); verde=dinâmica natural (bom impacto e naturalidade); vermelho=muita dinâmica (música clássica)
Agora a parte triste: muitas, mas MUITAS gravações atuais não têm mais do que 3dB de dinâmica. O som é constante, chapado, cansativo, distorcido. Para piorar, DJs e ouvintes tocam em alto volume, diminuindo ainda mais as variações de volume (equipamentos funcionando no limite) e piorando a qualidade do som. Há muitas pessoas, principalmenre adolescentes, que nem conhecem a tal dinâmica. Nunca escutaram uma gravação natural, impactante, em boas condições de audição - boa sala e bom equipamento. Um verdadeiro disperdício.
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