Chega de Covers!

Arte BarataDepois de um post com elogios, é hora de reclamar.

Pelo desenvolvimento cultural, pelo direito de ouvir coisas novas e interessantes, pelo respeito ao ouvinte, gritemos juntos: chega de covers!

Já faz alguns anos que a única solução para a fraca produção intelectual é a cópia. A versão, a re-edição, o re-lançamento daquilo que já é consagrado. Na música, os covers, ora justificados, outras tantas vezes desnecessários.

Não me agrada muito a idéia de um cover "cópia", com arranjos semelhantes, solos de guitarra idênticos e vocalistas tentando desesperadamente soar como o original. Se não vai ficar melhor, por que perder tempo!? (excessão óbvia para as bandas cover assumidas que divertem ao vivo)

Outra coisa é tomar uma música famosa e produzir algo inusitado, criativo e original. Há diversos bons exemplos por aí. E mesmo assim, é raro fazer mais sucesso do que a primeira versão.

Talvez estes covers de roupa nova ajudem um artista iniciante a se lançar no mercado - boa tática, desde sempre utilizada e recentemente exagerada a ponto de o artista somente gravar covers e nada mais. Pode também renovar a imagem de um cantor estigmatizado.

Até Mariah Carey deu a volta por cima e retornou à mídia com sua versão de "I wanna know what love is ". Ainda prefiro a original, mas não deixa de ser uma boa interpretação

Falta no mercado o financiamento de carreiras. Faltam bons compositores, orçamentos, músicos, técnicos e produtores experientes.

Esta semana me irritei ouvindo o rádio do carro. Primeiro, uma versão de uma música do Bob Marley que nem consigo me lembrar qual, tamanho o desgosto que me fez mudar de estação na hora. Hoje cedo, um cover deprimente do Lulu Santos, que mais parece uma produção experimental do colégio.

Que fique bem claro, muitas das minhas produções poderiam ser rotuladas como experimentais, afinal lidamos com artistas de diversos níveis de exeperiência e com orçamentos dos mais variados. Mas enfiar uma produção deste escalão no rádio é um ofensa ao ouvinte.

É o indicador que faltava para confirmar a ausência de novidades. Até as rádios tradicionais já incorporaram no seu repertório as produções de baixo nível. Nem jabá justifica!

Que a Internet esteja cheia de lixo, problema de quem acessa. Tem até fenômenos de audiência que se tornaram famosos tamanho o ridículo - vide o recente caso Rebecca Black. Mas parece que agora qualquer produção barata tem espaço nas grandes rádios - um espaço tão concorrido e formador de opinião. Uma ofensa também ao compositor - duvido que Lulu Santos e Nelson Motta estejam orgulhosos do resultado.

É como ir ao cinema e assistir a filmes classe C. É como ligar a TV em qualquer canal e se deparar com programas produzidos por alunos do primeiro ano da faculdade. É como ver um concurso de talentos no horário nobre e chorar de desgosto.

Aliás, pensando bem, não é justamente isso o que está acontecendo? Socorro.

 

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