O Que Vamos Gravar Hoje?

rollingstone_capa_31Adoro ler a Rolling Stone de domingo no meu sofá. Domingo tem um som incrível aqui da minha janela. Ainda mais neste feriado, impressionante como o barulho (ou a falta dele, neste caso) pode mudar seu estado mental, sua paciência e concentração.

Quero dizer, isso quando os cachorros me deixam. Eles também parecem perceber que é domingo, um dia diferente, para brincar, pular no sofá e não deixar ninguém ler uma revista em paz.

Conseguipassar pelas primeiras páginas e logo, alguns padrões me chamaram à atenção.

Que eu não conheça metade das bandas citadas nas matérias não é novidade. É simplesmente impossível conhecer todos que estão na mídia. Coisas da nova geração, da Internet, do sucesso rápido e efêmero. Mas não quero destacar mais uma vez os sintomas, e sim, tentar explicar uma das possíveis causas da doença.

Vou citar as curiosidades que reparei (as quais já venho lendo há algum tempo), depois analisamos as similaridades. Dizem as bandas:

onde_esta_a_fama

  1. "Vamos alugar este galpão aqui no subúrbio de Londres ou aquela mansão antiga e abandonada e teremos um ambiente super alternativo e criativo para gravarmos nosso próximo disco."
  2. "Precisamos conseguir um monte de sintetizadores analógicos dos anos 70, para que sejam a base e a fundação do nosso novo álbum."
  3. "Que bom que já temos a ordem das música definida, isso realmente vai nos ajudar muito neste momento, e mostra que já temos todo o conceito pensado e planejado."
  4. "Já tenho algumas idéias, então podemos chamar o produtor, o técnico e gravar.Compomos conforme tocamos."

Este tipo de pensamento, seus equívocos imperdoáveis e a falta de maturidade, são de fato a grande razão do anonimato, dos 15 minutos de fama. Da falta de uma carreira sólida, lucrativa e duradoura.

Adoram culpar o MP3, o estilo dos jovens, a Internet. "Não dá para vender, é assim mesmo e temos que nos adaptar", reclamam. Bullshit. Como se um ambiente místico e cheio de pó fizesse surgir boas canções. Há séculos que os melhores compositores sabem que boas canções são reflexo de trabalho duro, tempo, insistência, anos de prática.

Como se de repente o segredo e a solução para todas as bandas fossem os synths analógicos clássicos. Ou então a voz de robô do AutoTune. Daqui a pouco ninguém mais vai aguentar ouvir o mesmo timbre, o som fica datado, sem originalidade. E mais, conseguir os synths é fácil (na verdade, mas fácil e eficaz é comprar os plugins), a dificuldade é saber o que fazer com eles! De novo, não é o instrumento, o lugar ou o timbre. É o artista, o músico, o compositor, o instrumentista.

Pensam que a ordem das músicas no disco é fundamental. Com raríssimas excessões de álbuns-conceito, essa decisão deveria ficar para a fase de masterização, depois de todas as gravações. Além do mais, o conceito de "disco" já não é tão importante hoje em dia, mais vale a faixa, o single. Há MUITAS outras prioridades para se pensar e decidir antes da ordem das músicas, como por exemplo, escrever boas músicas.

Não consigo entender de onde veio essa mania atual. Acho que de repente todos os novatos descobriram que a ordem das músicas era uma coisa pensada: "Uau, uma obra dividida em vários atos...". Saber isso com antecedência não ajuda quase em nada. Não é produtivo adaptar uma música em função da posição dela. Mas sim, decidir a posição dela em função do seu conteúdo - letras, levada, clima.

As bandas parecem ignorar aquela etapa chamada Pré-Produção, que alguém, algum dia, comentou, mas que deve ser muita chata. Imagine, sentar e discutir, pensar, tomar decisões. "Que saco, eu quero é tocar!". Então boa sorte, mas depois não reclame que os integrantes brigaram, que as sessões de estúdio não são produtivas, que há excesso de ansiedade e pressão do produtor.

Será que é pedir muito pra encarar isso tudo como uma profissão séria???

"Que é isso, cara, eu sou artista, funciono assim, sem regras, sem disciplina, vivo de inspiração, blá blá blá".

Eu responderia pro gente boa: "Vou te contar um segredo. Os Beatles eram muito mais loucos, hippies, alternativos, emos, descontrolados e imprevisíveis do que você possa imaginar. Mas eles trabalhavam duro, quando precisavam trabalhar duro. O resultado esta aí, para sempre gravado na História". Santa paciência.

 

Adicionar comentário

POR FAVOR AGUARDE PARA SEU COMENTARIO SER APROVADO E PUBLICADO. Ao submeter seu comentário, reservamos o direito de modificar ou deletar informações a qualquer momento, sem aviso prévio. As medidas tomadas pretendem evitar o uso de termos ofensivos, propagandas e conteúdos não pertinentes.


Código de segurança
Atualizar

ENQUANTO ISSO NO TWITTER...

SEJA FÃ NO FACEBOOK

Feed

feed-image RSS

BLOG NO SEU EMAIL

Não perca nenhum artigo.

Login



NADA A VER

weird-al-yankovic

Também curto...

descobrir vinhos

"Mesa Completa" por Rodrigo Mammana

consertar a bike

"Bicycle Tutor" por Alex Ramon


 


ACADEMIA DO PRODUTOR MUSICAL

VÍDEO

academia do produtor musical logotipo

Academia do Produtor Musical

Exclusiva para membros.
Conheça e ganhe um livro.

VISITANTES ONLINE

Temos 214 visitantes online

LIVRO GRÁTIS

Baixe uma cópia do Manual de Bolso da Produção Musical

manual_pequeno

(3a. edição, com 37 páginas sobre as etapas da produção, dicas, termos e dados de mercado. Para músicos, técnicos e produtores)

PARCEIROS

REGISTRE SUA MÚSICA


CASES PARA TRANSPORTE

hard dj case


PROTEJA SEUS DIREITOS AUTORAIS

advogado pedro carneiro direitos autorais

Dr. Pedro Szajnferber de Franco Carneiro


JÁ GRAVOU? É HORA DE DIVULGAR

identidade_musical