AUDIÇÃO CRÍTICA - Dennis Zasnicoff

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Áudio em 16, 24 ou 32 bits ?

(6 votos)

Resolução de Bits - mitos e verdades - Dennis Zasnicoff - Produtor Musical

Se você se identifica com alguma das dúvidas abaixo, este artigo foi escrito para você.

  • Vale a pena gravar em 24 bits?
  • Devo mixar em 32 bits?
  • Como faço para converter de 24 para 16 bits sem perder qualidade de áudio?
  • Existe áudio em 64 bits?

"BITs" sempre foram motivo para discussões quentes, mas sem dúvida funcionam bem no mundo do marketing. Quando o consumidor desconhece um assunto, ele usa o senso comum, certo? O senso comum sempre nos disse que números maiores são melhores. Qual é a melhor BMW, série 300, 500 ou 700? Sem dúvida a 700. Nem sei porque, mas aposto que é mais luxuosa, moderna, sofisticada, e com certeza mais cara.

TV LCD 32 ou 42 polegadas? Barco de 26 ou 30 pés? Processador de 1 ou 2 GHz? Nintendo 32 ou 64? As pessoas adoram comparar 16, 32 e 64 bits. Durante os anos que trabalhei na Intel, presenciei momentos históricos. O primeiro sistema operacional totalmente 32 bits. Processador 64 bits. Linguagem de máquina em 128 bits. Ninguém sabia ao certo o que isso significava, talvez poucas pessoas no meu grupo de engenharia, mas todo mundo falava como se fosse especialista.

"Agora temos um processador 64 bits!". O concorrente então, se vangloriava de ser o primeiro com esta "tecnologia". Para quê? Que benefício trazia esta nova tecnologia? Nenhum. Pelo menos para 99% dos usuários. Ninguém precisava, sentia falta ou entendia o que era. Mas adoravam vender e comprar.

Muito antes deste lançamento, os processadores já trabalhavam com 128 bits. Mas quem se importava? Na época, seria um conceito muito avançado, difícil de vender, comparar. É muito mais fácil comparar Nintendo 32 com 64. Ponto final. E eu já vi televisões de 32 polegadas bem melhores do que algumas de 42. Barcos de 30 pés bem mais espaçosos do que outros de 32.

Enfim, vamos falar sobre bits no áudio:

  1. 16 bits podem ser mais do que suficientes para o áudio. Não é à toa que o consórcio de fabricantes escolheu 16 bits para o formato de áudio digital do CD. Sim, faz muitos anos e talvez a tecnologia digital tivesse limitações na época, mas o fato é que ainda hoje encontramos CDs maravilhosamente masterizados em 16 bits. Inclusive modelos audiófilos conhecidos por sua qualidade, detalhamento e naturalidade. Em outras palavras, desde que todo o processo produtivo seja cuidadoso, utilizando resoluções maiores (24 e 32 bits) sempre que possível, e que ferramentas como dithering sejam corretamente aplicadas, o áudio final pode ser armazenado e reproduzido em 16 bits sem perdas notáveis de qualidade. Pelo menos para 99% dos consumidores.
  2. Sempre gravar em 24 bits. A grande maioria das interfaces de áudio e conversores A/D (Analógico/Digital) trabalham em 24 bits, inclusive os modelos bastante acessíveis. Em paralelo, o armazenamento está barato e qualquer disco rígido de prateleira oferece espaço para dezenas de horas de gravação neste formato. Gravações em 24 bits registram as performances com mais detalhamento (maior fidelidade) e são mais tolerantes a variações de volume (dinâmica). A qualidade do áudio gravado é nitidamente superior, principalmente nas passagens mais baixas, se comparadas a gravações iguais em 16 bits (mesmos equipamentos, sala, condições etc.)
  3. Gravações em 32 bits não existem. Além de teoricamente desnecessárias (24 bits oferece detalhamento e faixa dinâmica suficientes para qualquer material sonoro), quando falamos em 32 bits no áudio, estamos falando de uma representação numérica conhecida como "ponto-flutuante". Em 16 e 24 bits, a representação é normalmente em "ponto fixo". Sem entrar em detalhes sobre estes dois formatos numéricos digitais, vale comentar que "ponto-flutuante" não é adequado para coversão A/D e que o conversor teria processamento e custo exagerados sem necessidade.
  4. Mixar e Masterizar em 32 bits é altamente recomendável. Todos os principais pacotes (softwares) de produção musical oferecem resolução de 32 bits (ou até mesmo 64) durante a mixagem. Na MINHA opinião, 64 bits é um exagero e não faz sentido, exceto para alguns processamentos de áudio bem específicos. Semelhante à discussão de sample-rates como 96 ou 192kHz - na maior parte dos casos, trata-se de um absurdo sem fundamentos. Mixar e masterizar em 32 bits, por outro lado, é claramente benéfico. Primeiramente, porque os processadores (CPUs) naturalmente trabalham com 32 bits em ponto-flutuante. Então é até mais fácil para seu computador e exige menos dele. No caso de armazenamento de arquivos temporários, o aumento de tamanho é de 50% e não costuma ser um problema. Não estamos falando de vídeo am alta-resolução, apenas áudio! Mas a razão principal se deve à PRECISÃO das operações matemáticas. Do ponto de vista do computador, mixar, masterizar ou acessar a Internet é a mesma coisa, significa fazer contas, matemática pura. Em 32 bits, o resultado de uma soma ou multiplicação é muito mais preciso. É como se o número tivesse 10 casas decimais ao invés de apenas 2. Portanto, o resultado não precisa ser cortado ou arredondado. Se você imaginar que cada vez que alteramos o volume de uma trilha, milhões de operações matemáticas estão ocorrendo, é fácil perceber que em 24 ou 16 bits, os erros de precisão terão se acumulado no final da mixagem e serão relativamente grandes. Em termos musicais, o áudio sofrerá perdas e distorções.
  5. Converter "para baixo" somente no final. Primeiramente, vale lembrar que conversões "para cima" não melhoram o áudio. Se um arquivo foi gravado em 16 bits, de nada adianta convertê-lo para 32 bits. Mas como vimos acima, faz sentido quando pretendemos realizar qualquer operação matemática (efeito, mixagem, volume) com ele. Assim, depois de gravar todas as trilhas em 24 bits, utilize 32 bits para processá-las e mixá-las. O mesmo vale para a masterização. Quando tudo estiver pronto para ser gravado no CD ou convertido para MP3, a conversão para 16 bits deve ser a ÚLTIMA operação. Se um determinado trecho do áudio digital vale 3,8516732, ele agora pode ser convertido para 3,9. Se o áudio já estivesse em 16 bits, valeria 3,8000000 e seria convertido para 3,8, causando um erro de arredondamento.
  6. Sempre utilizar dihering nas conversões "para baixo". DITHERING (veja este artigo) ajuda no arredondamento e portanto "diminui" os erros matemáticos, melhorando o detalhamento do áudio final, mesmo que isso aumente um pouco o ruído de fundo (quase nunca percebido e bem inferior ao ruído de um LP, K7 ou microfone de baixa qualidade). Quando fizer a conversão final de 32 para 16 bits, faça o dithering. Aplicar o dithering mais de uma vez não melhora o áudio e só aumenta o ruído. Eventualmente, se precisar converter de 32 para 24 bits (para usar algum processador digital externo, por exemplo), utilize dithering antes de enviar o áudio.

Agora fica mais fácil entender porque CDs de 16 bits podem soar tão bem! Porque, além do áudio ter sido gravado e manipulado em resoluções maiores, a conversão para 16 bits só ocorreu no final do processo. Porém, mais importante do que 16 ou 24 bits, é lembrarmos que a acústica, as técnicas de microfonação, a qualidade técnica e artística da equipe de produção normalmente pesam MUITO MAIS do que qualquer limitação tecnológica.

Obviamente não devemos economizar onde não faz sentido, procure utilizar os conceitos acima. Mas também não podemos esperar que gravações em 24 bits, conversores caríssimos e processadores de dithering de última geração "salvem" a nossa produção. A idéia é que eles não atrapalhem. Só isso!

Ah, lembrei de outra, bastante atual: "Quantos megapixel tam o seu celular?"

 

Comentários  

 
0 #10 Melhorando qualidade em edições! 2010-04-02 15:48
Dennis,
Atualmente realizo ediçoes em faixas de audio gravados de voz. Prezo pela qualidade. Porém, utilizo o cool edit pelas ótimas opçoes q oferece. O problema real é q o cool edit não tem a qualidade q preciso, pois só trabalha com 16 bits (e 32 flutuante, q não é mto bom), porém possibilita a edição em tempo real, com diversos presets e filtros q podem ser habilitados facilmente por atalhos configurados manualmente. Percebo claramente a diferença de edição qdo feita no sound forge, q é muito melhor, porém peca nos detalhes de manuseio. Como posso resolver? Ou insiro de alguma forma o algoritmo do sound forge no cool edit ou descubro outro software q me satisfaça! O q vcs sugerem neste sentido? Obrigado
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0 #9 44,1 KHz X 192 KHz e 16 bits X 24 bits 2009-08-13 15:48
Meu ponto de vista é diferente.
Tenho diversas gravações que comprei em CD e depois em DVD-Audio ou SACD. Alguns eu já os tinha em LP.
O áudio das gravações em 24 bits com 192 KHz ou 96 KHz supwera em muito o CD. Soam com muito mais naturalidade, especialmente quando há vários instrumentos tocando simultâneamente . Em trechos de gravações onde há instrumentos sózinhos até que dá para ouvir bem. Mas a gravação de orquestras, grupos, etc ... fica muito ruim.
Claro que a diferença pode ser muito melhor percebida com boas caixas acústicas e bons amplificadores.
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0 #8 Resolução Interna nos DAWszasnicoff 2009-04-29 08:58
Cubase e Nuendo operam internamente com 32 bits ponto-flutuante. Protools trabalha com um mixer de 48 bits ponto fixo, o que também é mais do que suficiente.

Além do detalhamento e baixo erro cumulativo, essas resoluções permitem sinais MUITO altos dentro do software, sendo virtualmente impossível clipar um canal, com excessão da saída (interface 24 ou 16 bits).

O que você deve configurar nos DAWs é a resolução dos arquivos gravados em disco, quando você faz um bounce de um canal ou mixdown do mixer. Recomendo sempre usar alta resolução se os arquivos serão processados no futuro (ou arquivados como master).
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0 #7 32 btis.Sasandro 2009-04-29 06:50
parabens! otima explicação, só me restou uma duvida.
Quanto a questão de mixar e masteriza em 32 bits. a duvida é se os softwares como protools e cubase já trabalhão automaticamente em 32bits ou teria de configurar ou informar para o software a opção de usar 32 bits, pois não achei nos programas essa configuração.

Grande abraço
Sasandro
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0 #6 Qualquer DSP deve ser feito em 32 bitszasnicoff 2009-04-13 07:10
Olá Martin,

Sem dúvida! Toda e qualquer operação matemática (DSP) deveria ser feita em alta resolução, para diminuir os erros de arredondamento. Ao final, converta para o formato desejado e se precisar diminuir a resolução, use o dithering.

Abs!
Dennis
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0 #5 2009-04-13 06:52
Parabéns pelo artigo, não traz grandes novidades mas é bastante esclarecedor.
Uma pergunta: vc aconselharia mixar e masterizar em 32 bits mesmo que o áudio tenha sido gravado em 16?
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0 #4 Sample Ratezasnicoff 2009-03-04 12:07
Matheus,

Boa idéia para um artigo!
Vou escrever para postar nos próximos dias.

Como vc deve imaginar, tbm é um assunto cheio de mitos e exageros.

Abs!
Dennis
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0 #3 mtrombetta 2009-02-27 17:56
Dennis, você falou da discussão sobre 96 ou 192 KHz. E quanto a 48 ou 96 KHz? Existe alguma coisa que você possa nos explanar? Talvez desse um artigo de continuação a este...

Ex: "Dizem" que mesmo 44.1 KHz já é suficiente para qualquer gravação, visto que pelo Teorema de Nyquist é necessário que a taxa de amostragem da gravação seja no mínimo 2x o valor da frequência do espectro do sinal analógico. Considerando que ouvimos até 20KHz, então 44.1 KHz está ok.

Mesmo assim, tem gente que discorda dizendo que existem harmonicos e outros sons acima de 20KHz que devem ser gravados, além disso, 96KHz daria mais liberdade para atuação dos plugins.

Poderia nos esclarecer o que é verdade e o que é mito neste assunto?

Grande abraço,
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0 #2 felipekamakura 2009-02-27 13:00
Eu prefiro Nintendo 32 =D heauaehuaeh
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0 #1 mtrombetta 2009-02-27 12:29
Fenomenal o artigo! Parabéns, e acima de tudo, obrigado! Só mesmo alguém que trabalhou na Intel para explicar com tanta clareza!
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