*** DESAFIO ***
"A Event OPAL é o monitor de estúdio mais preciso e com a menor distorção do planeta. Eu desafio qualquer fabricante de monitores no mundo a provar que estou errado."

Não é todo dia que alguém tem os cojones para lançar um deafio destes. A frase é do presidente da Event Electronics, Peter Freedman, que pessoalmente apresenta seu novo produto no site da empresa. Depois fiquei sabendo que Peter é também o proprietário da RODE, cujos microfones sou fã e de quem sou cliente há muitos anos (bem que conhecia a cara dele de algum lugar...)
Estas seriam algumas das novidades:
- 3 anos de desenvolvimento
- $4 milhões em investimentos
- Componentes totalmente re-desenhados
- Novo driver de médios e graves
- Alto SPL e qualidade nos graves
- Médios realistas em 2-way
- Baixíssima distorção nos agudos
- Dispersão uniforme, sweet-spot largo
Em se tratando de monitores de estúdio, faz sentido que as caixas sejam "transparentes" ou "exatas", mas como costumo dizer: a revelação pode ser assustadora!
Não é todo mundo que gosta de olhar para a própria cara com lupa de aumento, as rugas e manchas aparecem... Os defeitos de gravação e mixagem serão apresentados sem dó. E isto inclui problemas acústicos da sala, ruídos e distorções dos equipamentos. Quem disse que "precisão" é legal!?
Aliás, é espantoso saber que MUITOS dos monitores famosos que conhecemos e utilizamos são projetados deliberadamente para "mascarar" imperfeições do seu design e do seu amplificador interno. Não são e não pretedem ser transparentes.
Mas temos que concordar, esse desafio é forte. Estou louco para escutar as meninas. Vamos acompanhar a imprensa especializada para ver o que acham. Um dos privilegiados revisores do primeiro time, Chris McCown, já testou e comenta: "Você sabia que existe um delay na linha de vocal de 'Shook Me All Night Long' do AC/DC? Eu também não, até escutá-la nestas caixas." O preço? US$3,000 o par.
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Comentários
Nunca trabalhei com este modelo para poder te passar minhas impressões. Mas estou certo que, mesmo se tivesse, minha opinião só poderia se restringir à minha sala e meu sistema.
Temos sempre que nos lembrar que não estamos escutando apenas os monitores, mas TODO o sistema sala+monitores+ posição+convers ores. Isso faz toda a diferença.
Tenho certeza que estes monitores podem ter um ótimo resultado EM ALGUMAS situações, mas tbm é importante entender as limitações (que normalmente são proporcionais ao tamanho, marca e custo ;-).
Abs,
Dennis
Qual a sua opinião sobre o Bx5 da M-audio? São classificados comomonitores planos para referência em estúdio, porém.....fica a dúvida....São realmente "reliable"?
Abs!
Cheguei a comentar no artigo que a transparência nem sempre é bem-vinda... Imagine se os funcionários dissessem para seus chefes que não gostam deles... Mas este é outro assunto...
No áudio, a fidelidade ou o "flat" às vezes é muito útil. Por exemplo: quando precisamos testar outros elos da cadeia, como sala, microfones ou prés. Ou ainda, para escutar detalhes, ruídos, nuances das gravações e da mixagem. Essas aplicações podem ser fundamentais para alguns engenheiros!
Outro fator é que monitores pequenos como a OPAL, sendo flat e precisos, soam mais próximos de sistemas maiores de 3 vias e soffit, como aqueles usados em masterização e grandes estúdios.
No dia a dia, monitores flat podem ser bem legais, DESDE que os outros elos sejam compatíveis, em termos de qualidade e transparência.
Exemplo, eu tenho um sistema Hi-Fi com CD-Player, Amplificador e Monitores de alta qualidade. Adoro utilizá-los para ouvir CDs bem produzidos e também para mixar e masterizar. Mas alguns CDs soam simplesmente HORRÍVEIS nele, porque ele mostra tudo. Inclusive um recente que comprei de uma artista famosa nacional, impressionante como está distorcido e mal mixado/masterizado...
Portanto, tenho que usar com cuidado, apenas em algumas situações.
A questão sobre mixar e masterizar em ambientes semelhantes àqueles que o ouvinte utilizará para escutar, de fato faz sentido. Essa é uma discussão antiga e hoje em dia realmente a maioria das casas de masterização tem salas com RT60 em torno de 0,40 segundos, que representa uma sala de estar média. As técnicas costumam ter uma reverberação menor porque é importante poder ouvir articulações e dosar os efeitos. Mas não muito seca a ponto de desvirtuar!
A reverberação é apenas um dos fatores que determinam a acústica e a "tradução" de um sistema para outro. Reflexões primárias e distribuição de RT60 por oitavas também são fundamentais.
Mas sempre recomendo ouvir o resultado em diferentes sistemas e salas, esse sim é o grande teste!
Portanto, monitores com o OPAL são fabulosos, mas não para todos os usuários e todas as salas... Em todo caso, sempre é importante ouvir o resultado em condições semlhantes a do ouvinte final, como clubs, carros, home-theater, boom box, iPOD etc.
Por fim, vale lembrar que é exatamente por isso que as Yamaha NS-10 ficaram tão famosas e populares nos estúdios. Porque, teoricamente, representavam um sistema Hi-Fi médio das residências da época. Mas elas possuem muitos "problemas" que dificultam demais a tomada de decisões em gravações, mixagens, masterização... São muito boas para teste de tradução.
No final do dia, vale mais a familiaridade do engenheiro com um determinado sistema (equipamentos + sala) do que as características de um elo em particular.
Abs!
Dennis
Prazer imenso começar um trocar idéias contigo por aqui. Também frequento o fórum do Omid (sou aluno dele) e gosto muito de suas opniões lá postadas.
Verdades sejam ditas, e elas muitas vezes doem, não é?
Verdades acústicas também..
Mas pergunto sua opnião em relação ao seguinte fator:
Até que ponto que a monitoração absolutamente sincera (flat total) como no caso da Event OPAL pode ser DE FATO uma vantagem em relação a outros, de boa referência é claro?
Em 2002, quando fiz o curso do Omid pela primeira vez, lembro bem dele dizendo que 90% dos ambientes que a música mixada será ouvida, estará cheio de reflexões.
Portanto não se pode de jeito nenhum, pensar em trabalhar em ambiente anecóico, sem vida. Dizia isso pra um brasileiro que tinha a concepção erronea de que um BOM estúdio devia ter bastante SONEX (!)
Colorações e desníveis -muito bem controlados- na resposta da caixa, não poderiam no dia à dia prático, musical, colorido, vivo e dinâmico, soar mais próximo dos 98% dos falantes que o "mundo" inteiro (não audiófilo) irá apreciar esta música?
Essas caixas me parecem segundo a descrição, estéreis demais.
O TLM 170, não tem uma resposta assim. De 2K pra cima, tem um colorido que é uma de suas características desejadas.
NA sua opnião, por que teriam as caixas, que ser tão flat, estéreis?
Abraço.
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