O primeiro microfone a gente nunca esquece! Mais ainda se a escolha foi errada...
Se o seu trabalho envolve pré-produção e gravações, uma boa seleção de microfones é essencial para estar preparado para diversas situações, dentro e fora do estúdio. Um kit para bateria, um bom par-casado para microfonação estéreo, um modelo de baixo ruído, outro de alta sensibilidade, um microfone para fontes sonoras altas, um flat para medições, algumas opções para vozes, modelos resistentes para performances ao vivo, e por aí vai.
Mas sempre tem o primeiro! Como produtor independente, compositor e/ou músico, a escolha do primeiro microfone para o seu Home Studio é muito importante. O ideal é que esse microfone seja o mais versátil possível, com alta durabilidade, confiável, fácil de operar, relativamente barato e claro, que tenha boa sonoridade.
A primeira dúvida é se devemos filtrar a seleção por um modelo DINÂMICO ou por um a CONDENSADOR. Via de regra, os microfones a condensador são mais sensíveis a detalhes e transientes e oferecem uma melhor resposta de frequências. Portanto são mais apropriados para gravações em ambientes controlados, onde a fonte sonora não se movimenta e não há muitos ruídos externos. Tenha em mente que um microfone a condensador precisa de alimentação Phantom Power, o que provavelmente já é oferecido pela sua interface de áudio ou mesa de som.
A segunda decisão fica por conta do tamanho da cápsula. Existem as grandes e as pequenas. De uma maneira geral, as diferenças seriam:
| Cápsula PEQUENA | Cápsula GRANDE | |
|
Ruído próprio (ruído de fundo, mais aparente em sons baixos) |
Maior |
Menor |
| Sensibilidade (capacidade de gerar níveis altos para gravação) |
Baixa |
Alta |
| Tolerância a fontes sonoras de alto volume |
Alta |
Mais Baixa |
| Largura de banda (quantidade de frequências captadas) |
Larga |
Mais estreita |
| Influência do campo sonoro da sala |
Pequena |
Grande |
| Faixa dinâmica (capacidade de captar sons baixos e altos) |
Maior |
Menor |
Dependendo da qualidade acústica da sua sala, tipos principais de captações e restante dos equipamentos disponíveis, a tabela acima pode guiá-lo nesta decisão. Meu primeiro microfone de estúdio foi um Rode NT1-A, de cápsula grande, que tem um ruído de fundo muito baixo e funciona muito bem para vozes e violão. Até hoje ele é bastante utilizado e se mostrou um excelente investimento. Com o tempo, fui adquirindo outros modelos, de cápsula pequena e dinâmicos, para aumentar o leque de ferramentas.
Falando em dinâmicos, talvez a segunda opção para a sua coleção seja o Shure SM57, conhecido como o canivete-suíço dos estúdios de gravação. A um preço bastante acessível, o SM57 é bastante confiável e duradouro. O tipo do microfone que não vai te deixar na mão e ainda serve para várias situações. As mais famosas incluem captação de amplificador de guitarra e caixa de bateria.
A diretividade, ou padrão polar, costuma ser outro ponto de indecisão. De um lado, temos os microfones omni-direcionais, que captam os sons que vem de qualquer direção. Do outro, os shotguns, que rejeitam quase todos os sons que não chegam pela frente. Eu escolheria um modelo intermediário, o famoso padrão cardióide. Este tipo de padrão permite um bom controle de vazamentos, ao mesmo tempo que capta apenas uma pequena e natural reverberação da sala. Se conseguir um modelo de padrão variável dentro do seu orçamento, melhor ainda.
Se você pretende ficar com apenas um microfone durante um bom tempo, talvez seja melhor investir numa categoria de US$300 a US$400. Modelos de US$100 são tentadores, mas não costumam justificar a economia. No outro extremo, microfones de US$1,000 ou mais não deveriam ser a primeira aquisição. Lembre-se que o desempenho do microfone está intimamente ligado ao know-how do técnico, acústica da sala, qualidade de cabos e pré-amplificadores. Deixe os maiores investimentos para quando tiver certeza de que seu microfone está se tornando um gargalo e que um modelo mais caro, de fato, fará a diferença.
Qualquer tipo de produção musical, mais cedo ou mais tarde, deve precisar de um microfone confiável. Mesmo que você trabalhe com instrumentos virtuais ou remix, é provável que em algum momento terá que gravar uma voz ou instrumento. Ensaiar um músico, testar um efeito ou equipamento, fazer uma medição ou um overdub de um trecho mal-gravado.
Boas escolhas, 2... 3... gravando!
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