Como Funciona um Absorvedor de Membrana

absorvedores no tratamento acústico - Dennis Zasnicoff - produtor musicalEssa é pra quem gosta de acústica! O absorvedor de membrana é uma das peças mais famosas e úteis no tratamento acústico. Neste artigo, explicarei um pouco sobre seu funcionamento.

Toda sala possui ressonâncias naturais que alteram o som. Ressonâncias são nada mais nada menos do que "tendências" físicas de um corpo material. Se você chutar uma bola sempre com a mesma frequência e intensidade, para cima e na mesma direção, ocorre um fenômeno estável e cíclico - as embaixadinhas. Se você mudar a direção do chute, ou iniciar o movimento na hora errada (atrasado ou adiantado), perde-se o controle. Em resumo, o peso da bola, a força da gravidade, as características do chute - todos estes fatores encontram um equilíbrio que é único para aquele tipo de bola e situação.

As salas também possuem suas ressonâncias, ditadas por suas dimensões, distâncias entre paredes, teto, piso e geometria. Algumas frequências sonoras (ou notas musicais) se encaixam perfeitamente na geometria da sala e produzem um fenômeno cíclico e estável. São os modos ressonantes, em salas de audição, teatros, estúdio de gravação, salas de controle, banheiros - que alteram a percepção do som. Outras frequências, que não se encaixam exatamente na geometria, "morrem" com mais facilidade e não produzem sons tão intensos e distintos.

Exemplo: uma sala possui um alto-falante em uma das paredes. Quando um som é gerado, uma frente de onda (alta pressão) sai do alto-falante e caminha para a parede oposta. Se as paredes da sala são reflexivas, esta onda reflete e retorna para o alto-falante, onde sofre outra reflexão na parede onde está o alto-falante e assim por diante. Em cada reflexão, o som perde um pouco da intensidade e se desligarmos o alto-falante, depois de alguns instantes (e reflexões), o som "morrerá".

No entanto, algo diferente pode acontecer. Se no instante em que a frente de onda retornar ao alto-falante (refletindo e seguindo novamente para a parede oposta), o mesmo alto-falante gerar uma outra frente de onda, as duas serão sobrepostas. O som ficará mais intenso. No próximo ciclo, ocorre a mesma coisa e a "super-onda" que retornou é acrescentada de mais uma. Nessa situação de ressonância, o som ganha intensidade e demora muito mais tempo para morrer. Para que isso ocorra, a frequência de geração das ondas deve casar com a dimensão da sala. E isso de fato acontece em algumas frequências, que são específicas para aquela sala e situação.

Como já podemos imaginar, as ressonâncias não são desejáveis em ambientes onde o som deve ter um comportamento natural, equilibrado. Afinal, algumas notas soarão "normais" enquanto outras, mais intensas: do-ré-MI-fá-sol-LÁ-si. A solução: impedir que as ondas "problemáticas", com frequências ressonantes, sejam refletidas de volta para sala. Esse é o papel do absorvedor de membrana.

Supondo que uma determinada sala possua um modo ressonante em 440Hz (nota lá de concerto), o absorvedor deverá ser projetado para absorver sons desta frequência (440Hz), de modo que esta nota soe o mais "normal" possível, como as outras que não são ressonantes.

O absorvedor de membrana é uma caixa rígida, selada, que possui uma membrana flexível na face voltada para a sala. Sendo selado, ele está acusticamente isolado do mundo externo, ou seja, o ar não pode entrar nem sair dele. Quando uma frente de onda de alta pressão atinge o absorvedor, a tendência natural seria que o ar entrasse nele, já que a pressão externa é maior do que a interna. Como o ar não pode entrar, a membrana flexível se deforma para dentro do absorvedor, "brecando" a onda. Pense num balanço de crianças - como fazemos para pará-lo? Quando ele está chegando em nossa direção, fazemos um movimento no mesmo sentido, desacelerando o balanço. É isso que ocorre no absorvedor! A membrana "desacelera" a onda, ela perde intensidade e não reflete de volta para a sala com a mesma força.

Esta é uma explicação simplificada do fenômeno, mas ajuda a entender porque os absorvedores devem ser selados, calculados e posicionados corretamente para equilibrarmos uma sala.

Veja aqui como calular seu próprio absorvedor, para que sua produção musical soe mais natural!

 

Adicionar comentário

POR FAVOR AGUARDE PARA SEU COMENTARIO SER APROVADO E PUBLICADO. Ao submeter seu comentário, reservamos o direito de modificar ou deletar informações a qualquer momento, sem aviso prévio. As medidas tomadas pretendem evitar o uso de termos ofensivos, propagandas e conteúdos não pertinentes.


Código de segurança
Atualizar

ENQUANTO ISSO NO TWITTER...

SEJA FÃ NO FACEBOOK

Feed

feed-image RSS

BLOG NO SEU EMAIL

Não perca nenhum artigo.

Login



NADA A VER

weird-al-yankovic

Também curto...

descobrir vinhos

"Mesa Completa" por Rodrigo Mammana

consertar a bike

"Bicycle Tutor" por Alex Ramon


 


ACADEMIA DO PRODUTOR MUSICAL

VÍDEO

academia do produtor musical logotipo

Academia do Produtor Musical

Exclusiva para membros.
Conheça e ganhe um livro.

VISITANTES ONLINE

Temos 214 visitantes online

LIVRO GRÁTIS

Baixe uma cópia do Manual de Bolso da Produção Musical

manual_pequeno

(3a. edição, com 37 páginas sobre as etapas da produção, dicas, termos e dados de mercado. Para músicos, técnicos e produtores)

PARCEIROS

REGISTRE SUA MÚSICA


CASES PARA TRANSPORTE

hard dj case


PROTEJA SEUS DIREITOS AUTORAIS

advogado pedro carneiro direitos autorais

Dr. Pedro Szajnferber de Franco Carneiro


JÁ GRAVOU? É HORA DE DIVULGAR

identidade_musical