Maldita Latência

Latência - Mal Necessário?Conheço algumas pessoas que desistiram de produzir em casa porque acreditavam que seu computador era incapaz de lidar com áudio.

É claro que alguns formatos de áudio e processamentos extremos precisam de MUITO processamento. Quando digo processamento, não estou me referindo somente à CPU, ou processador da máquina, mas eficiência do sistema de uma maneira geral. E aí entram: eficiência do software, interface de áudio, CPU, placa de vídeo, disco-rígido, otimização do sistema operacional e programas rodando no background.

Muitos detalhes que podem fazer uma grande diferença. Porém, para projetos relativamente simples e considerando que computadores com processamento dual são basicamente padrão de mercado, um dos principais "gargalos" que desanimam os iniciantes está na Interface de Áudio.

A maioria dos softwares de produção musical é capaz de funcionar muito bem em um computador-padrão, ou seja, sem hardware adicional ou especial. Com excessão da Interface de Áudio!

Este componente tem a função de conectar o mundo interno (computador, software, disco) ao externo (instrumentos, caixas acústicas). Toda vez que apertamos PLAY no computador, em qualquer programa, sinais digitais são enviados para a Interface e CONVERTIDOS para um sinal analógico que pode ser reproduzido nos monitores ou fones-de-ouvido.

A operação inversa ocorre quando gravamos através de um microfone conectado à Interface ou geramos sons por um teclado MIDI. A Interface está sempre convertendo entre formatos (MIDI, digital, analógico).

É natural pensarmos que estas conversões tomam algum tempo (e processamento) do computador. Ou seja, do instante que apertamos o PLAY, para o instante em que começamos a escutar música, existe uma LATÊNCIA (ou pequeno atraso). Neste caso, ela não é um problema pois pouco importa se começamos a escutar 1/10 de segundo ou 1 segundo após apertar o play.

Mas a latência começa a se tornar um grande problema nas seguintes situações: 

- Quando estamos gravando áudio e monitorando ao mesmo tempo.

Repare no percurso do sinal. Do microfone para a interface, conversão A/D (analógico para digital), da interface para o software, deste para o disco (armazenamento), de volta para a software, para a interface (conversão D/A), da interface para os fones-de-ouvido, permitindo que o cantor possa se escutar e desenvolver uma boa performance. Além disso, é bem provável que o software esteja mandando para a interface um mix de fundo juntamente com a voz, para o cantor sincronizar e gravar em cima (overdub).

Pois bem, em média, atrasos inferiores a 20ms (vinte milésimos de segundo) não são perceptíveis para nossos ouvidos. Se somarmos todas as latências envolvidas neste processo (sendo que as maiores estão nas conversões A/D e D/A) e o resultado for inferior a 20 ou 30ms, não teremos problemas na gravação. Mas se a latência superar este atraso, ficará bem complicado para o cantor.

- Quando estamos tocando ou gravando via MIDI.

Embora o sinal MIDI seja rapidamente convertido e interpretado pelo Software que está gerando os timbres (pequena latência de entrada), o som gerado ainda precisa ser computado e passar pelo conversor D/A para que possa ser monitorado. Afinal, como podemos gravar sem escutar? Portanto, se a latência de saída for muito longa, o instrumentista vai ficar louco. Quando está apertando a segunda tecla, escuta o som da primeira. E aí adeus noção do tempo. Tende a acelerar e desacelerar, perdendo o ritmo e concentração.

SOLUÇÕES ??? Sim, há várias. São elas:

- Diminuir a latência. Isso pode ser conseguido através de DRIVERS mais eficientes. Para PC, isso provavelmente significa que sua Interface precisa se um driver do tipo ASIO. Que, infelizmente, só é fornecido com as interfaces profissionais ou semi-profissionais. Em outras palavras, o som integrado do seu notebook não deve ser capaz de lidar com baixas latências...

- Se este é o seu caso, baixe e instale o "simulador de ASIO" chamado ASIO4ALL. Ele pode fazer maravilhas com a sua interface integrada e é de fácil configuração. Com raras excessões, irá permitir que você grave, toque e monitore sem problemas nos pacotes de produção tradicionais e profissionais.

- Caso possua uma interface com driver ASIO e ainda tenha problemas de latência, experimente diminuir o BUFFER. Esta configuração encontra-se no painel de controle da Interface e geralmente está expressa como TEMPO ou TAMANHO. Quanto menor o tamanho do buffer, menor o tempo de latência. Mas como nada é de graça neste mundo, quanto menor o tempo, maior o processamento necessário. Assim, diminua o tamanho do buffer até que o áudio comece a pipocar. Clicks, glitches, falhas. Neste ponto, o processador não está mais aguentando o esforço. Volte a subir um pouco o tamanho do buffer e estará no ponto de menor latência possível. Se o ponto de menor latência ainda não é satisfatório, você ainda tem algumas opções:

-   Economize processador, fechando qualquer programa que não seja essencial ou desativando plugins dentro do software. Quando gravar, desative os plugins para diminuir bastante a latência. Quando mixar, volte a aumentar o buffer para liberar CPU, já que a latência não é mais tão crítica.

- Experimente outros modelos de samplers, instrumentos virtuais e plugins. Os melhores (e mais caros) tendem a utilizar pouca CPU e cusam baixa latência com alta qualidade de áudio.

- Procure uma versão de driver atualizada para sua interface. Visite o site do fabricante, eles costumam atualizar os drivers com frequência.

- Troque sua interface por um modelo mais eficiente

- Em último caso, atualize seu computador com um processador mais rápido

- Outras dicas: se sua interface possui recurso para monitoração interna (muitas vezes chamado de "zero latency"), use e abuse desta funcionalidade para gravar. Neste cenário, o áudio que será gravado é imediatamente "copiado" para os fones-de-ouvido, ANTES da conversão A/D. Portanto, sem passar pelo software e pelo buffer.

- O mesmo vale para teclados MIDI. Se o teclado possuir sintetizador interno, utilize a saída de áudio DELE para monitorar, durante gravações em estúdio ou ao vivo. O sinal MIDI continuará sendo gravado pelo software, mas você não precisará gerar os timbres em tempo real e passar pela conversão D/A. Mais tarde, a gravação MIDI pode ser editada e processada para se conseguir o timbre desejado.

Para um teste e latência REAL so seu sitema (e não aquele informado pelo Software, que pode ser enganador), baixe e utilize o utilitário da Centrance.

Boas gravações, sem ecos irritantes!

 

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